A China desacelerou, o consumo de luxo esfriou e boa parte do mercado está mais cautelosa. A Chanel, no entanto, decidiu não seguir esse roteiro.
Em entrevista ao programa The David Rubenstein Show, a CEO da grife francesa, Leena Nair, foi direta: a China segue sendo uma prioridade de longo prazo para a marca — não um mercado para reduzir investimentos diante do primeiro sinal de instabilidade. Como prova concreta, ela citou a boutique da Chanel no Plaza 66, em Xangai, que acaba de passar por uma renovação completa assinada pelo arquiteto Peter Marino, nome que a maison já usa há anos para desenhar seus endereços mais importantes ao redor do mundo.

O timing da declaração não é trivial. A região que inclui a China respondeu por cerca de 48% da receita da Chanel em 2025 — quase metade do faturamento da marca depende, direta ou indiretamente, do consumidor chinês e da presença asiática. No ano passado, a companhia registrou alta de 1,8% nas vendas, batendo US$ 19,3 bilhões. E o início de 2026 reforça a tese: segundo dados citados pela Bloomberg e reproduzidos pelo Business Times, a receita comparável da Chanel cresceu cerca de 16% no primeiro semestre, com avanço também dentro da China.
Nada disso apaga o cenário real. A desaceleração econômica chinesa, a crise no setor imobiliário e a retração no apetite por consumo discricionário são fatores que vêm pressionando toda a indústria do luxo — e a Chanel não está imune a eles. A diferença é que a marca optou por não tratar esse momento como motivo para recuar. Prefere manter presença física, reforçar a experiência do cliente local e seguir investindo em um mercado que, mesmo mais devagar, continua sendo estratégico.
É uma aposta que outras grifes do setor vão observar de perto. A pergunta que fica não é se a China vai voltar a crescer no ritmo dos anos anteriores — é quais marcas terão fôlego e caixa para esperar essa curva, tratando o mercado chinês como prioridade estrutural, e não apenas como resultado de um trimestre.
Fonte: The Business Times.
Crédito da imagem: Chanel / Divulgação.






