Jean-Michel Basquiat continua atravessando fronteiras entre arte, moda e objetos de desejo. A mais recente aparece em um projetor portátil. A Aurzen apresentou em 30 de setembro, em uma ação exibida na Times Square, o ZIP Pro Basquiat Special Edition. O anúncio ocorreu durante a semana de moda de Paris, embora o painel estivesse em Nova York, combinação de geografias que diz muito sobre a ambição visual do lançamento.
A edição usa imagens de Pez Dispenser e Untitled (1985), obras licenciadas por meio da Artestar, representante de projetos ligados ao espólio do artista. O ponto importante aqui é a procedência declarada do uso das imagens. Não se trata de uma estampa escolhida por afinidade estética sem identificação de direitos, mas de uma parceria apresentada como licenciada pela fabricante.
O aparelho tem formato dobrável e pesa 586 gramas, segundo a Aurzen. A empresa informa resolução de 1080p, brilho de 200 ANSI lumens e autonomia de até duas horas e meia. São especificações que ajudam a posicionar o produto como companhia para sessões informais e deslocamentos, mas não substituem uma avaliação independente de desempenho em ambientes iluminados. A pré-venda está programada para 9 de outubro.
O interesse editorial vai além da ficha técnica. Nos últimos anos, o nome de Basquiat passou a circular em uma quantidade considerável de colaborações. Algumas são capazes de introduzir sua obra a novos públicos; outras correm o risco de reduzir uma linguagem artística complexa a acabamento de superfície. Neste caso, o objeto ao menos propõe uma relação curiosa: um dispositivo feito para projetar imagens carrega no próprio corpo referências a um artista cuja obra nunca foi discreta.
Para quem acompanha design e tecnologia de consumo, a edição mostra como fabricantes tentam converter funcionalidade em valor simbólico. O projetor continua sendo um projetor. A arte muda a maneira de apresentá-lo, de exibi-lo e, possivelmente, de guardá-lo. A pergunta que fica para o comprador é simples: a atração está na experiência de assistir ou no prazer de possuir o objeto? A Aurzen parece apostar nas duas coisas.







