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4ª Bienal Black Brazil Art chega a Recife com 125 artistas

A 4ª Bienal Black Brazil Art acontece de outubro de 2026 a março de 2027, online e em Recife, com a mostra As Cinco Peles e entrada gratuita.

A 4ª Bienal Black Brazil Art começa em outubro e segue até março de 2027, com atividades online e presenciais em Recife, em uma edição que reúne trabalhos de 125 artistas de todo o país. A programação é gratuita, e o tema deste ano, As Cinco Peles: corpo, território, mundo, propõe uma reflexão sobre as camadas que formam a experiência humana e coletiva.

A Bienal é uma iniciativa brasileira dedicada à valorização, à circulação e ao fortalecimento da produção artística negra, afro-diaspórica e decolonial. Foi criada em 2019 pela curadora e museóloga Patricia Brito, e uma de suas marcas é a itinerância: a cada edição, ocupa territórios e espaços culturais diferentes. Nasceu em Porto Alegre, em um estado cuja narrativa dominante, como lembra o próprio material, apagou historicamente a população negra, e partiu dessa contradição para afirmar que a arte afrodiaspórica brasileira não tem endereço fixo.

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O calendário da quarta edição começou em 6 de outubro, com o programa online Artistas (em) Conversação, que vai até 30 de novembro. São dez encontros gratuitos, transmitidos ao vivo pelo Zoom e no canal da Black Brazil Art no YouTube, que reúnem vozes das Américas, da África e da Europa. Entre os nomes estão Rita Oyakanmi, Diogo Nógue, Welket Bungué e Juliana Xukuru, e a conversa atravessa temas como racismo, afrofuturismo e crise ambiental, com espaço para imaginar novos horizontes afro-indígenas.

A parte presencial acontece em Recife, em dois eixos. O primeiro é o Museu de Arte Moderna Aloisio Magalhães, o MAMAM, onde a exposição As Cinco Peles abre em 7 de novembro, às 14h, e ocupa três andares da instituição. A primeira parte da mostra gira em torno de três núcleos temáticos, Corpo, Território e Mundo. A abertura terá performance ao vivo de A TRANSALIEN, artista pernambucana radicada em São Paulo, e a oficina Apitos Sonoros, conduzida por Rodrigo Novack, de Santa Catarina. A visitação no MAMAM vai até 31 de janeiro de 2027.

O segundo eixo é o Centro Cultural Cais do Sertão, que abre em 7 de dezembro, às 18h, no Auditório É do Povo, no segundo andar. A cerimônia reúne apresentações musicais, performance ao vivo, exibição de vídeos e premiação, e a mostra fica em cartaz até 7 de março de 2027. Também estão previstas oficinas e atividades em outros endereços da capital pernambucana, como a Escola Técnica Estadual Alfredo Freyre, o Museu da Abolição e o Laberer UFPE. Os alunos da escola Alfredo Freyre também têm obras na exposição.

Os números ajudam a dimensionar a seleção. A convocatória recebeu 338 inscrições no início do ano, e os 125 artistas selecionados vêm do Sudeste (57), do Nordeste (40), do Sul (11), do Centro-Oeste (5) e do Norte (4), além de participantes da Alemanha, do Canadá, de Cabo Verde, da Guiné-Bissau, de Porto Rico e de Portugal. No Nordeste, destacam-se a Bahia, com 14 artistas, e Pernambuco, com 11. Os trabalhos atravessam performance, videoarte, instalação, fotografia, escultura, pintura e arte têxtil.

A escolha de Pernambuco, explica a organização, nasce da força histórica, cultural e simbólica do território. Recife é uma cidade marcada por encontros, disputas e permanências, de quilombos e maracatus a movimentos negros de longa trajetória, e a Bienal pretende realizar ações em conexão com espaços culturais importantes da cidade. “Nossa quarta edição nasce da compreensão de que a arte contemporânea afrodiaspórica é construída em movimento”, diz Patricia Brito, organizadora do evento.

A trajetória da Bienal ajuda a medir esse movimento. A 1ª edição, entre 2019 e 2020, com o tema Mulheres (in)Visíveis, passou por Porto Alegre, Florianópolis e Curitiba e reuniu mais de 320 obras de mais de 160 artistas. A 2ª, em 2022, foi predominantemente virtual e apresentou cerca de 250 obras de mais de 100 artistas negros brasileiros. A 3ª, em 2024, no Rio de Janeiro, reuniu 225 artistas, com mais de 270 trabalhos, e discutiu deslocamento, memória, migração, gênero e raça.

A 4ª Bienal Black Brazil Art é uma realização do Ministério da Cultura, por meio da Lei Rouanet, com patrocínio do Banco BV, parceria de divulgação do Portal SoteroPreta, de Salvador, e produção da Black Brazil Art. A imagem que ilustra esta matéria, Ralando Coco, é uma pintura de Li Monteiro, artista de Alagoas selecionada para a mostra.

Serviço: 4ª Bienal Black Brazil Art (4BIENALBLACK), em Recife (PE), de outubro de 2026 a março de 2027, com entrada gratuita. Online: Artistas (em) Conversação, de 6 de outubro a 30 de novembro, ao vivo pelo Zoom e no YouTube da Black Brazil Art. MAMAM (Rua da Aurora, 265, Boa Vista): de 7 de novembro de 2026 a 31 de janeiro de 2027, de quarta a sexta, das 10h às 17h, e aos sábados e domingos, das 10h às 16h. Cais do Sertão (Av. Alfredo Lisboa, s/n, Recife Antigo): de 7 de dezembro de 2026 a 7 de março de 2027, de terça a sexta, das 10h às 16h, e aos sábados e domingos, das 13h às 18h, com horário estendido, até as 20h, na última quinta-feira de cada mês. Programação completa em bienalblack.com.br.

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