Prada apresenta Re-Cashmere e Re-Wool, duas linhas que levam o reaproveitamento de fibras naturais ao vestuário da maison. As peças são produzidas na Toscana e na Úmbria, regiões italianas ligadas à fabricação de malharia, e partem de materiais já existentes que passam por seleção e novo processamento antes de retornar ao guarda-roupa.
No Re-Cashmere, a matéria-prima vem de resíduos finos da fiação e de aparas de cashmere recolhidas na unidade do grupo em Torgiano. Os fragmentos são separados por cor e transformados em fio. Segundo a Prada, as peças dessa linha usam cashmere reciclado e o fio resultante tem certificação Global Recycled Standard.
O Re-Wool segue outro percurso. A marca utiliza lã, cashmere, tecidos com defeitos e sobras de corte de suas diferentes linhas. Após a triagem, os materiais são incorporados a um fio composto por 50% de lã virgem certificada pelo Responsible Wool Standard, 40% de lã reciclada e 10% de cashmere reciclado. É essa composição que diferencia os dois processos.
A seleção disponível no site da Prada inclui suéteres, polos, saias, calças e casacos. Cada peça recebe uma etiqueta NFC que dá acesso a informações de rastreabilidade na plataforma Aura Consortium, incluindo materiais e etapas da cadeia de fornecimento. A medida oferece ao comprador dados mais específicos sobre a origem da roupa, embora a leitura dessas informações ainda dependa do acesso à plataforma.
A produção vinculada à disponibilidade das fibras também afasta as linhas da lógica de um material padronizado em volume ilimitado. Para uma casa cuja identidade foi construída tanto pela experimentação têxtil quanto pela precisão industrial, o interesse aqui está em transformar sobras de qualidade em matéria de projeto.







