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Ferragamo registra queda de 3,5% na receita do terceiro trimestre

Receita de € 207 milhões recua 3,5% a câmbio constante, pressionada por queda de 19,1% no atacado; varejo próprio fica estável.

A Salvatore Ferragamo encerrou o terceiro trimestre de 2026 com receita de €207 milhões, recuo de 3,5% a câmbio constante na comparação anual. O desempenho foi pressionado pelo atacado, cujas vendas caíram 19,1%. No canal direto ao consumidor, a receita ficou estável, segundo dados divulgados pela companhia em 20 de outubro e repercutidos pela Reuters.

O resultado mostra uma diferença relevante entre os canais de venda. O atacado atende lojas multimarcas e parceiros de distribuição, enquanto o canal direto reúne as lojas próprias e o comércio eletrônico da marca. A estabilidade do segundo não compensou a retração do primeiro, que refletiu um ambiente de consumo descrito pela empresa como mais fraco, além de tensões geopolíticas.

No acumulado dos nove primeiros meses, a receita ficou próxima do nível registrado no mesmo período de 2025, também segundo a divulgação. O quadro mantém a Ferragamo diante de um mercado de luxo que evolui de forma desigual: empresas e categorias apresentam ritmos distintos, e a demanda por produtos de moda não acompanha necessariamente o desempenho de joalheria, beleza ou experiências.

O recuo do atacado pode refletir tanto ajustes de pedidos dos parceiros quanto a procura do consumidor final. A empresa não detalhou, nos dados citados pela Reuters, o desempenho por região.

Para a marca italiana, o desafio está em sustentar a distribuição direta e o relacionamento com o cliente enquanto atravessa a fraqueza no atacado. A estabilidade do canal direto é um dado favorável, mas ainda não configura retomada. Já a retração de quase um quinto no atacado chama atenção por sua intensidade e será importante observar se representa uma correção temporária de pedidos ou uma pressão mais persistente.

O trimestre confirma que a recuperação do luxo não pode ser lida como um movimento único. Em vez de uma volta homogênea do consumo, os números da Ferragamo apontam diferenças entre canais e deixam em aberto questões sobre a duração da desaceleração. Os próximos resultados da companhia devem esclarecer se a estabilidade do varejo próprio consegue ganhar escala e reduzir a dependência de um atacado mais volátil.

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