O La Dolce Vita Orient Express transforma o trajeto em destino. Na rota Roma, Portofino e Veneza, o trem italiano faz do tempo a bordo a própria viagem, com design, alta gastronomia e música ao vivo em uma ambientação que remete à Itália dos anos 1960 e 1970. A experiência foi vivida recentemente por Ana Paula Carneiro, curadora de high jewelry e especialista em marcas de luxo, que contou os bastidores à BlackCard.
Há viagens que levam a novos destinos e há aquelas que transportam para outra época. Ao embarcar, a sensação, descreve Ana Paula, é a de entrar em uma cena de cinema. Como especialista no mercado de luxo, o que mais a impressionou desde o primeiro instante foi a forma como a composição do trem transforma o percurso em uma celebração viva do design, da gastronomia e do estilo de vida italiano.
A jornada começa com um serviço de limusine privativo, que busca os passageiros no hotel ou no aeroporto e os leva ao lounge exclusivo do trem. Na Estação Roma Ostiense, uma banda ao vivo recebe os convidados do lado de fora, antes mesmo do embarque, e cria a atmosfera nostálgica da Dolce Vita.

Por dentro, o trem presta homenagem ao glamour e ao fervor artístico das décadas de 1960 e 1970. O projeto de interiores é do Dimorestudio, fundado em 2003 por Emiliano Salci e Britt Moran, e celebra mestres do design italiano como Carlo Scarpa, Gio Ponti e Ignazio Gardella, além de referências ao movimento Espacialista de Lucio Fontana, Agostino Bonalumi e Enrico Castellani. Nos corredores, as paredes exibem fotografias históricas de Marcello Geppetti, fotojornalista que registrou a elegância e a espontaneidade da Roma dos anos 60.
O almoço é servido no Vagão Restaurante, com um menu assinado pelo chef Heinz Beck, premiado com estrela Michelin, harmonizado com uma seleção de vinhos. À tarde, o trem faz parada em Santa Margherita Ligure. De lá, um transfer de minivan e um barco privativo levam o grupo até Portofino, acompanhado por uma guia local que adapta o percurso ao interesse dos viajantes.
Em Portofino, o roteiro passa pela Piazzetta, pelo Castello Brown, fortaleza do século XVI, pela Igreja de San Giorgio e pelas fachadas coloridas que, no passado, ajudavam os pescadores a reconhecer suas casas do mar.

De volta ao trem, o jantar também é assinado por Heinz Beck no Vagão Restaurante. No Vagão Bar, um show privativo com cantora, saxofonista e pianista ao vivo embala a noite com a sofisticação do cinema italiano.
A manhã seguinte começa no ritmo suave dos trilhos, com café da manhã servido na cabine ou no Vagão Restaurante, enquanto a paisagem muda em direção ao Mar Adriático. O dress code é inspirado no glamour vintage e em Cinecittà, e os passageiros acompanham a chegada do trem à Estação Venezia Santa Lucia.
Desembarcar em Veneza depois de uma viagem tão cuidada resume a experiência, segundo Ana Paula: “parece que vivi um filme de época, foi puramente mágico”. O relato aponta uma tendência clara no turismo de luxo, a de que o deslocamento deixou de ser meio e passou a ser parte do roteiro, com a mesma curadoria dedicada a um hotel ou a um restaurante.





