LUXO

Louis Vuitton construiu uma cachoeira de 8 metros no coração de Paris, e o debate foi além da moda

Paris já viu muita coisa em seus desfiles de moda masculina. Mas o que Pharrell Williams entregou na semana passada para a coleção primavera-verão 2027 da Louis Vuitton foi algo diferente: uma onda de…

Paris já viu muita coisa em seus desfiles de moda masculina. Mas o que Pharrell Williams entregou na semana passada para a coleção primavera-verão 2027 da Louis Vuitton foi algo diferente: uma onda de água real, com oito metros de altura e 37 metros de largura, que literalmente caía sobre a passarela enquanto os modelos desfilavam.

A instalação foi concebida por Pharrell como uma costa — com materiais que espelhavam a água, uma abertura em forma de caverna e uma cortina de água fornecida pela Eau de Paris, empresa pública de saneamento da cidade. O resultado visual era irresistível. Mas o que tornou o evento um assunto de verdade foi o contexto: Paris estava sob uma onda de calor histórica, com temperaturas chegando a 40 graus Celsius. Usar toneladas de água para criar um cenário de luxo, enquanto a cidade suava e buscava sombreamento, gerou uma conversa que nenhum press release consegue controlar.

A peça que Pharrell está montando na Vuitton

O desfile em si funcionou bem. A coleção traduz o universo do surfe — capas, silhuetas relaxadas, bolsas de viagem repensadas, tecidos técnicos — sem virar roupa de praia. Pharrell continua construindo sua leitura do “dandy contemporâneo”: homem que viaja, que tem repertório cultural, que se veste com intenção. É uma proposta coerente com o que ele vem desenvolvendo desde que assumiu o masculino da marca.

A Vuitton informou que a água foi encaminhada ao sistema de esgoto de Paris em circuito fechado, sem desperdício. Tecnicamente, a sustentabilidade estava resolvida. Comunicacionalmente, o debate sobre excesso já estava aberto — e a marca o abraçou ao invés de recuar.

O que o cenário diz sobre a Vuitton hoje

Não é a primeira vez que grandes maisons usam elementos de natureza em desfiles — neve, chuva, gelo, flores. O que muda aqui é a escala e o momento: a marca escolheu um espetáculo de impacto máximo justamente quando o mercado de luxo está tentando equilibrar grandiosidade com responsabilidade. A Louis Vuitton de Pharrell parece deliberadamente não interessada em reduzir a temperatura. Prefere criar o falatório e, depois, explicar. É uma estratégia de presença que poucos podem sustentar — e que diz muito sobre onde a marca quer estar na conversa global.

O desfile foi realizado em 25 de junho em Paris, como parte da Semana de Moda Masculina.

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