MODA

Miu Miu, Lacoste, Akris e Mugler encerram o fim de semana em Paris

Paris encerrou o fim de semana com quatro desfiles que ajudam a desenhar o humor da primavera-verão 2027. Miu Miu, Lacoste, Akris e Mugler partiram de universos muito diferentes, mas chegaram a uma conclusão…

Paris encerrou o fim de semana com quatro desfiles que ajudam a desenhar o humor da primavera-verão 2027. Miu Miu, Lacoste, Akris e Mugler partiram de universos muito diferentes, mas chegaram a uma conclusão parecida: a roupa contemporânea precisa conviver com mais de uma ideia ao mesmo tempo. O esportivo pode ser sofisticado, a pintura pode ganhar volume sobre o corpo, a herança de uma marca pode ser deslocada e o espetáculo ainda pode ter função além da imagem.

Na Miu Miu, Miuccia Prada levou o guarda-roupa cotidiano para um território mais preciso. Tops esportivos, calças de pista, blazers, vestidos de festa e tênis apareceram em combinações deliberadamente inesperadas. O interesse da coleção está menos em escolher entre conforto e elegância do que em aproximar os dois. Uma peça de performance pode receber brilho, uma saia pode conviver com uma jaqueta de treino e a alfaiataria pode perder a rigidez sem abrir mão de presença. A parceria com a Wrangler, aplicada a peças de denim retrabalhado, reforça essa vontade de reconsiderar o que já existe.

Miu Miu, Lacoste, Akris e Mugler encerram o fim de semana em Paris

Na Lacoste, Pelagia Kolotouros colocou a coleção no campo central de Roland-Garros. O título, “Dress code: No white required”, resume a mudança de perspectiva. A quadra de saibro substituiu o branco convencional por tons terrosos, verdes, cinzas, amarelos intensos e violetas. A polo, código histórico da marca, apareceu em proporções mais amplas e em camadas com casacos, calças fluidas e peças técnicas. A coleção não abandona o tênis. Ela amplia o que o tênis pode significar fora da quadra, quando a roupa esportiva passa a circular pela cidade com outra escala e outro ritmo.

Miu Miu, Lacoste, Akris e Mugler encerram o fim de semana em Paris

Akris escolheu uma conversa mais silenciosa, embora não menos expressiva. Albert Kriemler trabalhou a partir da pintura gestual de Martha Jungwirth, transformando cor, impulso e movimento em superfícies e silhuetas. O resultado não é uma reprodução de telas, mas uma tradução do processo da artista para o tecido. A cor deixa de ser apenas estampa e passa a organizar o corpo. O gesto aparece na construção, no caimento e na maneira como a roupa se movimenta.

Miu Miu, Lacoste, Akris e Mugler encerram o fim de semana em Paris

Mugler encerrou o dia com a vocação cênica da casa. Sob a direção de Miguel Castro Freitas, a marca segue investigando poder, sensualidade e exagero sem tratar esses códigos como peças de arquivo. O desfile mantém a energia teatral que tornou Mugler reconhecível, mas a coloca em uma conversa atual sobre liberdade de imagem e transformação. Em conjunto, as quatro coleções mostram uma temporada menos interessada em uniformidade do que em fricção. O luxo de Paris, neste momento, não está apenas na matéria-prima ou na construção impecável. Está na capacidade de fazer ideias opostas caberem no mesmo look.

Miu Miu, Lacoste, Akris e Mugler encerram o fim de semana em Paris

Publicidade

Compartilhar