Um calçado sofisticado pode acompanhar mais do que uma ocasião especial. Essa é a proposta da Piazza, que busca aproximar design e versatilidade em modelos pensados para circular entre compromissos profissionais, viagens, encontros e produções cotidianas.
No mocassim Blu, a referência ao driving shoe aparece em uma leitura voltada à rotina. Feito em couro, o modelo combina construção leve e acabamento refinado. Segundo a marca, a resposta das clientes também aponta para diferentes possibilidades de uso: algumas passaram a escolher o mesmo mocassim em duas ou três cores.
A versatilidade aparece de outra forma no Mule Ópera. O modelo reúne salto Anabela de desenho arquitetônico, construção modular, couro liso e broche lateral de cristal, detalhe associado à identidade da Piazza. A combinação leva elementos de presença marcante a um calçado que pode compor produções além das ocasiões formais.

A mulher não quer mais um sapato bonito apenas para uma ocasião específica.
A ideia acompanha uma relação mais flexível com o guarda-roupa: em vez de reservar determinadas peças para momentos específicos, as consumidoras buscam modelos que possam ser combinados de maneiras diferentes ao longo do dia. Na Piazza, essa leitura se traduz em propostas distintas, conectadas pelo desejo de unir identidade e possibilidade de uso.
Fundada por Rebeka Guerra, a marca brasileira tem referências italianas e valoriza o trabalho artesanal em suas criações. A história da Piazza também passa pelas colaborações com PatBo e Reinaldo Lourenço e pela apresentação de uma coleção solo na Torino Fashion Week.

Não precisamos tentar parecer italianos ou europeus.
Cinco perguntas para Rebeka Guerra
Fundadora da Piazza
A Piazza nasceu da sua dificuldade em encontrar bons sapatos brasileiros no número 40. Como isso moldou a marca?
Essa experiência foi, de fato, um dos pontos de partida da Piazza. Eu sempre tive dificuldade para encontrar sapatos que unissem estética, qualidade e uma boa modelagem para o meu pé. E isso me fez perceber que existia uma oportunidade muito maior do que simplesmente produzir uma numeração 40.
Desde o início, pensamos o calçado a partir da mulher que vai usá-lo. A numeração precisa vestir bem, o modelo precisa ter uma construção confortável e o design não pode ser comprometido por essas necessidades. Hoje, essa atenção continua muito presente no desenvolvimento dos produtos. A gente observa o comportamento das nossas clientes, entende os diferentes formatos de pés e usa esse retorno para aprimorar modelagens e construções.
Acredito que um sapato bonito precisa, antes de tudo, fazer sentido no corpo de quem o usa. É isso que transforma uma peça desejada em uma peça que realmente passa a fazer parte da vida da cliente.
Referências italianas, produção artesanal brasileira. Como isso se traduz em cada modelo?
A Itália sempre foi uma grande referência para mim, principalmente pela maneira como o país entende o design, a proporção e a construção de um sapato. Mas a Piazza é essencialmente brasileira. E existe uma riqueza enorme no nosso fazer artesanal, na nossa mão de obra e na capacidade que temos de transformar uma ideia em produto.
No desenvolvimento de cada modelo, existe uma pesquisa muito cuidadosa de materiais, cores, acabamentos e proporções. Depois vem uma etapa igualmente importante, que é transformar essa ideia em uma construção que funcione no pé. É um processo de muitas provas, ajustes de forma e acabamento até chegarmos ao resultado que consideramos Piazza.
O artesanal, para nós, não é apenas uma técnica de fabricação. É também esse olhar minucioso para os detalhes. Queremos que a cliente perceba isso quando pega o sapato nas mãos e, principalmente, quando coloca no pé.
PatBo, Reinaldo Lourenço e uma coleção solo em Turim. O que essas experiências revelaram sobre a marca?
Essas experiências foram muito importantes porque nos colocaram em contato com públicos e profissionais diferentes e, ao mesmo tempo, nos fizeram enxergar ainda mais claramente o que torna a Piazza única.
Nas colaborações com PatBo e Reinaldo Lourenço, tivemos a oportunidade de unir universos criativos muito diferentes ao nosso, e isso ampliou nossa visão sobre o próprio produto. Já apresentar uma coleção solo em Turim teve um significado especial, porque foi justamente levar uma marca brasileira para um dos lugares mais importantes do mundo quando falamos de calçados.
O que ficou muito claro para nós é que existe espaço para o design brasileiro lá fora. Quando existe qualidade, identidade e uma história consistente por trás do produto, não precisamos tentar parecer italianos ou europeus. Pelo contrário. É a nossa perspectiva brasileira, somada às referências que nos inspiram, que torna a Piazza interessante.
A loja física muda a relação com a cliente? Como crescer sem perder o artesanal?
Muda muito. O digital nos permitiu chegar a mulheres de diferentes lugares, mas a loja física cria uma experiência completamente diferente. O sapato é um produto muito sensorial. Existe o momento de tocar no material, experimentar, olhar no espelho, caminhar com ele e conversar com alguém que entende daquele produto.
Para mim, a loja nunca foi apenas um ponto de venda. É uma extensão da experiência Piazza.
E o crescimento não pode significar perder essa proximidade. Por isso, mesmo com a expansão, continuamos muito atentos aos detalhes e ao treinamento das nossas equipes. Queremos que a cliente seja recebida da mesma forma que seria se estivesse conversando diretamente comigo.
Ao mesmo tempo, preservar o trabalho artesanal é uma escolha de negócio. Crescer não significa necessariamente produzir de qualquer maneira ou em qualquer escala. Significa encontrar uma estrutura que permita à Piazza crescer mantendo os critérios de qualidade que construíram a marca.
Há clientes comprando o Blu em duas ou três cores. O que esse comportamento revela sobre o luxo hoje?
Acho que esse comportamento mostra uma mudança interessante: a mulher não quer mais um sapato bonito apenas para uma ocasião específica. Ela procura peças que tenham desejo, mas que também tenham espaço real dentro da vida dela.
Quando uma cliente compra o mesmo modelo em duas ou três cores, isso mostra que ela encontrou uma forma que funciona para ela. E quando vemos esse mesmo sapato transitando entre diferentes momentos, do trabalho a um jantar ou a uma viagem, percebemos que existe uma busca cada vez maior por versatilidade.
Isso influencia muito o nosso desenvolvimento. Não significa fazer produtos básicos ou abrir mão da personalidade. Pelo contrário. Queremos criar modelos que tenham uma identidade muito clara, mas que possam acompanhar diferentes momentos da mulher.
O Blu é um ótimo exemplo disso: ele tem presença, mas não depende de uma única ocasião. E acredito que essa combinação entre desejo, identidade e versatilidade vai estar cada vez mais presente nas próximas coleções da Piazza.
Um sapato bonito precisa, antes de tudo, fazer sentido no corpo de quem o usa.
Piazza
@piazza.co · piazzaco.com






