Algumas joias não nascem para caber apenas no gesto de vestir. Elas pedem outro tipo de olhar.
É o caso da exposição “Escultura”, com curadoria de Juliana Guerreiro, diretora criativa da joalheria brasileira Guerreiro. A mostra reúne 40 anéis criados artesanalmente por seu pai, José Carlos Guerreiro, ao longo de décadas de trajetória, e apresenta essas peças ao público pela primeira vez em um contexto que aproxima joalheria, arte e escultura.
A exposição integra a programação inaugural da Galapagos Capital Art House, espaço cultural permanente localizado dentro do Boa Vista Village, complexo da JHSF em Porto Feliz. Inaugurado no sábado, 30 de maio, o espaço nasce com a proposta de receber exposições, ativações e iniciativas ligadas à arte contemporânea.
Quando a joia sai da vitrine e entra no campo da arte
Produzidos manualmente a partir de uma técnica própria de modelagem em cera desenvolvida por José Carlos Guerreiro, os anéis reunidos na mostra revisitam os primeiros anos de seu ofício, quando cada peça era concebida individualmente.
Escultor, ilustrador e joalheiro autodidata, Guerreiro consolidou uma linguagem própria dentro da joalheria brasileira. Sua criação é marcada pela liberdade formal, pelo gesto manual e pela relação intuitiva entre metal e pedra.
Na série apresentada em “Escultura”, parte das peças nasce a partir das próprias gemas. Ouro e prata parecem envolver as pedras de maneira fluida, quase orgânica. Sem moldes replicáveis, os anéis preservam marcas do processo artesanal e reforçam a singularidade de cada criação.
Mais do que acessórios, as peças funcionam como pequenos objetos de contemplação. O valor está no desenho, na matéria, na memória do gesto e na força escultórica que cada anel carrega.
“A exposição carrega um significado simbólico para mim. Cresci acompanhando a produção desses anéis, vendo cada produto nascer de forma intuitiva e manual. Poder reunir essas obras exclusivas e apresentá-las ao público pela primeira vez é uma forma de valorizar essa trajetória tão singular e especial”, afirma Juliana Guerreiro.
Memória, autoria e joalheria brasileira
Fundada por José Carlos Guerreiro em 1970, a Guerreiro construiu sua identidade ao unir símbolos, arte e comportamento em peças autorais produzidas artesanalmente. A marca ficou conhecida por criações como os Nós, escapulários e o Cristo em prata, sempre com uma estética intensa, livre e reconhecível.
Ao reunir os anéis criados por seu pai, Juliana não apenas revisita a história da marca. Ela propõe uma nova leitura sobre a joia como linguagem artística, deslocando o objeto do universo do adorno para o território da escultura.
A curadoria também conversa com um movimento maior do mercado: o interesse crescente por peças com origem, processo e narrativa. Em um tempo de excesso visual e reprodução rápida, a joalheria autoral ganha força justamente por aquilo que não se repete.
Na Galapagos Capital Art House, “Escultura” apresenta a joia como matéria viva: um encontro entre mão, pedra, metal, memória e forma.
Serviço
Exposição: Escultura
Curadoria: Juliana Guerreiro
Artista: José Carlos Guerreiro
Local: Galapagos Capital Art House, Boa Vista Village, Porto Feliz
Programação: mostra integra a programação inaugural do espaço cultural
Marca: Guerreiro
Instagram: @guerreirojoias






