Há sabores capazes de viajar pelo mundo sem perder a identidade. Outros parecem fazer mais sentido justamente no lugar onde nasceram. É a partir dessa segunda ideia que o Primitivo Hotel & Villas, na rota Ecológica de Milagres, em Alagoas, constrói sua proposta gastronômica.
À frente da cozinha está o chef Moisés Batista, um dos nomes da nova geração da gastronomia nordestina. Seu trabalho parte dos ingredientes disponíveis na região, mas também das memórias, dos costumes e da cultura do litoral alagoano para desenvolver uma cozinha autoral conectada ao território.
Mais do que simplesmente inserir produtos locais no cardápio, a proposta é fazer com que a gastronomia participe da experiência de conhecer o destino. Ingredientes, técnicas e referências regionais aparecem reinterpretados em pratos contemporâneos, criando uma relação entre aquilo que chega à mesa e a paisagem que cerca o hotel.
Essa experiência começa pela manhã. O café da manhã privilegia frutas frescas, pães servidos ainda quentes, sucos naturais e produtos da região, além de um cardápio de pratos quentes preparados na hora. Há ainda pequenos detalhes, como o shot servido no início da manhã, que ajudam a transformar a primeira refeição do dia em um ritual sem pressa.
No almoço e no jantar, a proximidade com o mar naturalmente se reflete no menu. Peixes e frutos do mar ocupam espaço importante, mas não monopolizam o cardápio. Há alternativas com carnes, além de opções vegetarianas, acompanhadas por uma carta de vinhos variada e pensada para dialogar com diferentes momentos da refeição.
O cenário completa a experiência. As mesas ficam diante do mar de São Miguel dos Milagres, com a brisa constante e uma paisagem que praticamente elimina a fronteira entre restaurante e destino. É difícil separar completamente aquilo que está no prato do lugar onde ele está sendo servido.
Esse conceito faz parte de um movimento cada vez mais presente na hotelaria de alto padrão: a gastronomia deixa de funcionar apenas como um serviço complementar à hospedagem para se tornar uma maneira de interpretar o território. Em vez de reproduzir uma cozinha internacional que poderia estar em qualquer hotel do mundo, ganha espaço aquilo que é específico, local e difícil de transportar.
No Primitivo, conhecer a região de Milagres também passa pela mesa. E talvez esteja justamente aí um dos aspectos mais interessantes da experiência: provar uma cozinha que não tenta esconder sua origem, mas faz dela seu principal ingrediente.
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