MODA

Quando a moda masculina não precisa parecer masculina

A entrada de uma marca em um novo mercado costuma vir acompanhada de uma nova etiqueta. Linha feminina. Linha masculina. Coleção unissex. A Neriage escolheu um caminho menos óbvio. Ao apresentar sua coleção de…

A entrada de uma marca em um novo mercado costuma vir acompanhada de uma nova etiqueta.

Linha feminina.

Linha masculina.

Coleção unissex.

A Neriage escolheu um caminho menos óbvio.

Ao apresentar sua coleção de verão 2026, a marca revelou uma colaboração entre a diretora criativa Rafaella Caniello e o fotógrafo Hudson Rennan, num movimento que também aproxima a Neriage do público masculino.

A parceria parte da fotografia.

Durante o processo criativo, imagens e objetos cotidianos passam para as roupas e tornam-se parte da linguagem visual da coleção.

O interessante é justamente o fato de a expansão não precisar ser apresentada como uma ruptura.

A roupa chega antes da categoria

Há alguns anos, a moda vem observando o enfraquecimento de divisões rígidas entre guarda-roupas masculino e feminino.

Não significa que essas categorias desapareceram. Significa que cada vez mais consumidores escolhem primeiro aquilo que querem vestir e depois, talvez, olhem para a etiqueta.

Para uma marca autoral, essa mudança cria novas possibilidades.

Em vez de criar um personagem masculino completamente diferente de sua cliente habitual, é possível ampliar proporções, volumes, modelagens e comunicação sem abandonar a identidade construída anteriormente.

No caso da Neriage, fotografia e roupa funcionam como ponto de encontro.

A marca não precisa parecer outra para chegar a outro corpo.

E talvez esteja justamente aí uma das discussões mais interessantes da moda contemporânea: quem define para quem determinada roupa foi feita?

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