O avanço das compras dentro do feed e os R$ 4,12 bilhões movimentados pelo comércio eletrônico de maior valor mostram um consumidor brasileiro menos previsível.
O comércio eletrônico brasileiro continua crescendo, mas as mudanças mais interessantes aparecem na maneira como os produtos são descobertos, nas categorias que avançam e nas regiões que ganham participação.
Dois levantamentos recentes ajudam a observar esse movimento. Dados divulgados pelo TikTok Shop mostram forte crescimento de moda e beleza dentro da plataforma. Outro estudo, realizado pela Confi por meio da Neotrust em parceria com o E-Commerce Brasil, acompanha as vendas digitais de produtos de maior valor no país.
As pesquisas possuem metodologias e universos diferentes. Seus números não devem ser somados. Lidos em conjunto, porém, ajudam a mostrar como conteúdo, conveniência e novas geografias estão redesenhando o consumo online.
Quando o feed também conclui a venda
No primeiro semestre de 2026, as vendas de moda no TikTok Shop brasileiro cresceram 154% em relação ao segundo semestre de 2025. Em beleza, o avanço foi de 151%.
As transmissões ao vivo ganharam peso importante nesse processo. Segundo a plataforma, o valor bruto de mercadorias vendido por lives cresceu 161 vezes em um ano.
O TikTok afirma ainda que 57,8% dos usuários concluem compras dentro do aplicativo depois de descobrir um produto por ali. A pesquisa foi realizada dentro da própria plataforma com 17 mil usuários, informação importante para contextualizar o dado.
Vídeos de demonstração, resenhas, tutoriais e transmissões ao vivo reduzem a distância entre conhecer um produto e finalizar a compra. O conteúdo deixa de atuar apenas como divulgação e passa a participar diretamente da conversão.
Marcas como YSL, Maybelline, Crocs e Carter’s já entraram no marketplace. A presença de empresas estabelecidas mostra que o modelo não está restrito a pequenos vendedores em busca de visibilidade.
Beleza cresce no comércio eletrônico de maior valor
Entre janeiro e agosto de 2026, o comércio eletrônico brasileiro de produtos de maior valor movimentou R$ 4,12 bilhões, avanço de 2,1% sobre o mesmo período do ano anterior. O levantamento considerou 92 operações digitais.
Foram registrados 6,22 milhões de pedidos, pequena queda de 0,3%. Ao mesmo tempo, o ticket médio aumentou 2,4%, chegando a R$ 663,29. O estudo contabilizou 13,58 milhões de itens vendidos, enquanto o preço médio por item recuou 4,1%.
Os dados indicam que o crescimento não veio apenas de produtos mais caros. Cestas maiores também tiveram papel relevante.
Moda e acessórios continuaram liderando, com 59,8% das vendas e R$ 2,47 bilhões movimentados, mas apresentaram retração. Beleza e perfumaria avançaram 17,3%, chegando a R$ 609,7 milhões. Utilidades domésticas cresceram 49,1% e produtos ligados à saúde, 30,8%.
O mapa regional também se movimentou. O Sudeste permaneceu responsável por 59% do faturamento, mas cresceu apenas 0,1% e perdeu participação. Norte, Sul, Nordeste e Centro-Oeste avançaram em ritmo superior. Sul e Centro-Oeste registraram tickets médios maiores que o Sudeste.
O consumo premium brasileiro não está concentrado em um único canal, categoria ou região. Ele pode começar em um vídeo, terminar dentro de uma plataforma e partir de cidades que durante muito tempo receberam menos atenção das marcas.
Fontes: TikTok Newsroom; Confi; Neotrust; E-Commerce Brasil.







