Por Patricia Zanotti

Vista de cima, a arquitetura do Clara Arte parece surgir de dentro da mata. Os edifícios de linhas contemporâneas, as piscinas e os caminhos que percorrem a propriedade dividem espaço com uma vegetação abundante, que praticamente envolve o resort. A fotografia aérea mostra algo que só se entende por inteiro depois da chegada: aqui, a natureza não é apenas a paisagem que se observa da janela. Ela faz parte da arquitetura, acompanha os ambientes e dá o ritmo da hospedagem.
Foi essa relação que mais me chamou a atenção nos dias em que estive no Clara Arte, em Brumadinho, Minas Gerais. Há uma sensação agradável de estar em um hotel que oferece muitas possibilidades sem exigir que aproveitemos todas elas. Dá para passar horas entre as piscinas, explorar os ambientes, experimentar a gastronomia, acompanhar a programação de atividades ou simplesmente ficar no quarto, com a mata logo adiante.

O Clara Arte reúne características que nem sempre aparecem juntas. Tem a estrutura de um resort pensado para famílias, com atividades e espaços dedicados às crianças, mas também oferece ambientes reservados, uma arquitetura que merece ser observada e uma gastronomia que faz das refeições parte importante da viagem.
Ao longo da estadia, fui descobrindo essas diferentes versões do hotel.
Uma arquitetura que merece ser observada
A madeira é uma das protagonistas do Clara Arte. Aparece nos revestimentos, nos móveis, nos tetos e nas estruturas que dão identidade ao projeto. Os grandes painéis de vidro fazem o contraponto e deixam a vegetação sempre presente, inclusive quando estamos dentro dos ambientes.
Uma das primeiras coisas que chamam a atenção nas áreas sociais é a escada escultural de madeira. Poderia ser apenas um elemento arquitetônico, mas acaba definindo a personalidade do espaço.

Ao redor, mesas generosas, poltronas, livros e objetos decorativos fazem das áreas comuns lugares onde realmente temos vontade de ficar. Gosto especialmente disso em um hotel: quando os ambientes não parecem pensados só para a fotografia, mas para serem vividos.

O cuidado com a decoração aparece em diferentes pontos da propriedade. Há estantes iluminadas, cerâmicas, peças de design e espaços de convivência que oferecem novas perspectivas da arquitetura. Os jardins internos e os espelhos d’água completam a composição e criam uma continuidade entre os edifícios e a natureza.
Mas recomendo observar o hotel também depois que anoitece.

Foi um dos momentos que mais gostei de fotografar. A iluminação valoriza a madeira, os ambientes envidraçados revelam seus interiores e os reflexos na água mostram outra face da arquitetura. O Clara Arte fica mais intimista, especialmente nas áreas de convivência, onde vale sentar para conversar ou simplesmente aproveitar o ambiente.

Há também uma relação interessante com a arte. Nas acomodações originais, uma curadoria feita em parceria com a Carbono Galeria reúne obras de artistas brasileiros e internacionais, entre eles Tomie Ohtake, Vik Muniz, Claudia Andujar, Sandra Cinto, Sonia Gomes e Regina Silveira.
Cada unidade recebeu uma obra selecionada individualmente, e um QR Code permite conhecer mais sobre o artista e sua trajetória. É uma forma de conviver com arte sem a formalidade de uma galeria.
O prazer de voltar para o quarto
Uma boa acomodação faz diferença em qualquer viagem. Mas existe algo especialmente agradável quando o quarto dá motivos para ficar nele mesmo durante o dia.

No Clara Arte, gostei da combinação entre a madeira, os tons naturais e a vegetação que aparece pelas grandes portas de vidro. Na acomodação em que fiquei, a área de estar e a varanda ampliavam essa relação com o exterior. Era possível observar as árvores de dentro do quarto, sem perder a privacidade.

A iluminação também merece atenção. Durante o dia, a claridade que atravessa o vidro valoriza os materiais e aproxima o ambiente da paisagem. À noite, a luz indireta deixa tudo mais acolhedor.
As acomodações têm diferentes configurações. Entre as opções estão a Suíte Luxo, os bangalôs Luxo, Master e Master Plus e as suítes presidenciais, com alternativas para casais, famílias e hóspedes que preferem espaços maiores e ambientes separados.
A Suíte Luxo, por exemplo, tem cama king-size, cama de solteiro, varanda e uma copa de apoio para bebês. Nos bangalôs, o conforto aparece em lareiras, áreas de estar e banheiras, conforme a categoria. Algumas unidades têm banheiras esculpidas em pedra-sabão, material tradicional de Minas Gerais.


Um detalhe que considero importante é a atenção às famílias com crianças pequenas. As acomodações contam com estrutura de apoio que pode incluir micro-ondas, frigobar, filtro de água e máquina de café. O hotel também disponibiliza berços, banheiras e carrinhos para bebês, mediante solicitação.
São comodidades que parecem secundárias para quem viaja sozinho, mas que fazem enorme diferença quando a viagem envolve crianças.
Com a inauguração da nova Ala Galeria, o resort passou a oferecer ainda mais opções de hospedagem. A expansão acrescentou 30 acomodações e novas categorias, incluindo suítes presidenciais com ambientes independentes, hidromassagem, sauna e varandas privativas.

O importante é escolher a acomodação de acordo com o tipo de viagem. Um casal pode preferir uma configuração mais intimista; famílias encontram alternativas com ambientes separados e mais espaço para a convivência. Em qualquer categoria, a arquitetura e a decoração mantêm a identidade que começa no lobby.
Entre um mergulho e outro
As piscinas merecem um lugar especial nesta reportagem, não só pela estrutura, mas porque oferecem maneiras bem diferentes de aproveitar o hotel.
A piscina externa climatizada, cercada por áreas de descanso e vegetação, é daqueles espaços em que o tempo passa sem que a gente perceba. Espreguiçadeiras, guarda-sóis e áreas de convivência convidam a alternar mergulhos e descanso.

Foi ali que vivi um dos momentos mais agradáveis da hospedagem: o fim da tarde. Com a mudança da luz, a arquitetura e a paisagem ganham outros tons, enquanto o movimento do dia diminui. É uma boa hora para pedir alguma coisa no bar e deixar a programação seguir naturalmente.

A piscina coberta e aquecida tem outra proposta. Seu destaque é o revestimento criado pelo artista pernambucano José Patrício, com pastilhas de cerâmica feitas à mão em 22 tonalidades de cinza.

O resultado é um ambiente em que a piscina vai além da função recreativa: a composição artística conversa com a arquitetura e transforma um espaço de lazer em algo que também prende o olhar. A água aquecida acrescenta conforto, principalmente nos dias mais frios ou quando o clima não favorece as atividades ao ar livre.

Gosto dessa combinação. Em alguns momentos, queremos o movimento da piscina ao ar livre. Em outros, a tranquilidade de um ambiente protegido, com água aquecida e uma atmosfera mais reservada. O Clara Arte oferece as duas.
Crianças têm programação própria
Um dos pontos mais interessantes do Clara Arte é a estrutura para famílias. O hotel não depende só de uma piscina e de algumas atividades ocasionais para entreter os pequenos.
A brinquedoteca tem identidade própria, com peças assinadas pelo artista plástico Artur Lescher, e mostra que o cuidado com arte e design chega também aos ambientes infantis. O resort tem ainda playground e espaços para atividades ao ar livre.

A programação recreativa é outro diferencial. Segundo o hotel, a monitoria funciona das 9h às 23h30, com atividades para diferentes faixas etárias: caminhadas, propostas educativas, brincadeiras e apresentações que variam conforme o dia.

A vantagem é que crianças e adultos não precisam seguir o mesmo roteiro durante toda a hospedagem. Enquanto os pequenos participam das atividades com a equipe de recreação, os pais podem aproveitar as piscinas, o spa ou os espaços de convivência. E há momentos para reunir a família, especialmente nas refeições e nas atividades que envolvem diferentes idades.
Para quem viaja com bebês, os cuidados vão além da recreação. Além da estrutura de apoio nas acomodações, o hotel oferece papinhas no buffet e equipamentos que simplificam a rotina.
Uma viagem em família precisa de entretenimento, mas também de soluções práticas. Nem sempre o que mais facilita a estadia é uma grande atração: às vezes é encontrar a comida certa para uma criança pequena ou ter apoio no próprio quarto. No Clara Arte, dá para aproveitar o resort sem organizar a viagem inteira em função disso.
E quando a programação é não fazer nada?
A estrutura infantil convive com espaços pensados para quem prefere tranquilidade.
O Spa by L’Occitane é uma dessas alternativas, com massagens e tratamentos corporais mediante agendamento e contratados à parte.
O resort tem ainda sauna e academia. Para quem gosta de começar o dia em movimento, a Trilha do Tangará é um percurso leve de cerca de três quilômetros pela mata preservada. Segundo o hotel, a caminhada leva uns 45 minutos e está incluída na diária. Há também oficinas criativas e atividades da programação do resort.
Mas não é preciso participar de tudo para aproveitar o hotel. Na minha experiência, uma das coisas mais agradáveis foi circular pelos ambientes sem pressa: descobrir uma estante de livros, observar os objetos, sentar em uma das áreas sociais ou simplesmente olhar a paisagem.
O Clara Arte tem diferentes espaços para esses momentos, entre áreas de estar, biblioteca e bar. À noite, a iluminação dos interiores convida a ficar nas áreas comuns. É o que valorizo em um hotel: opções suficientes para preencher o dia inteiro e ambientes agradáveis para quando não queremos fazer absolutamente nada.
A gastronomia também merece tempo
Em um resort com pensão completa, a cozinha precisa ser interessante do café da manhã ao jantar. No Clara Arte, esse é um dos pontos altos.
A proposta gastronômica leva a assinatura de Taiza Krueder, chef e CEO do Grupo Clara Resorts, e incorpora referências da culinária mineira. O cardápio valoriza ingredientes frescos, incluindo produtos da horta orgânica do próprio hotel.
São quatro refeições por dia: café da manhã, almoço, lanche da tarde e jantar. O formato facilita a organização da viagem, principalmente com crianças, ou quando a ideia é aproveitar o resort sem grandes deslocamentos.
Mas não é só praticidade. Existe um prazer particular em começar o dia com calma, tomar o café da manhã sem olhar o relógio e só depois decidir o que fazer. O almoço marca uma pausa entre as atividades, e o jantar é a hora da conversa mais demorada.
O buffet reúne preparações variadas, com opções vegetarianas, veganas e sem glúten. A Cozinha Show acrescenta pratos à la carte preparados pelos chefs. Há ainda cardápio infantil e preparações para bebês.
As bebidas não alcoólicas estão incluídas nas refeições, conforme as condições da hospedagem. Os bares completam a programação com drinques, petiscos e carta de vinhos.
O bar merece ser conhecido também pelo ambiente. Madeira, iluminação acolhedora, vegetação e uma boa disposição dos espaços criam uma atmosfera diferente da do restaurante. Foi outro lugar que gostei de fotografar à noite, pelos detalhes da decoração e pelo jeito como a luz transforma o espaço.

A gastronomia acaba sendo mais um ponto de encontro do resort. As refeições marcam os momentos da estadia e reúnem hóspedes com interesses e programações diferentes. Numa viagem com tantas possibilidades, sentar à mesa sem pressa também faz parte do programa.
Um hotel para descobrir em diferentes momentos
Depois de conhecer a estrutura do Clara Arte, fica fácil entender por que ele reúne tantas propostas. A experiência muda conforme a companhia, o horário e a disposição de cada hóspede.
Quem viaja com crianças encontra uma programação que dispensa organizar passeios externos todos os dias. Para os casais, as acomodações, a gastronomia e o bem-estar abrem outras possibilidades. E quem aprecia arquitetura e design pode dedicar tempo a detalhes que passariam despercebidos numa estadia rápida.
Durante minha passagem, descobri que o hotel merece ser visto em diferentes horários. A claridade que atravessa os painéis de vidro pela manhã, o movimento das piscinas durante o dia e a luz que valoriza a arquitetura à noite revelam ambientes distintos, mesmo quando olhamos para os mesmos espaços.
Voltei com muitas fotografias, especialmente dos interiores, da arquitetura noturna e dos pequenos detalhes de decoração. Talvez isso diga bastante sobre o que mais me chamou a atenção: não foi apenas a estrutura, mas a vontade de explorar os espaços e ver o que aparecia no ambiente seguinte.
E há um prazer especial em se hospedar em um lugar onde se pode fazer muita coisa, sabendo que também será perfeitamente agradável escolher não fazer nada.
Novidade
R$ 59,3 milhões: Clara Arte amplia suas acomodações com acessibilidade e obras de Tunga
Nova Ala Galeria acrescenta 30 acomodações ao resort e marca uma nova fase do empreendimento em Brumadinho.
O Clara Arte acaba de concluir sua maior expansão desde a inauguração. Com investimento de R$ 59,3 milhões, a nova Ala Galeria acrescenta 30 acomodações ao hotel, que passa de 46 para 76 unidades. O investimento acumulado do Grupo Clara Resorts na propriedade chega a R$ 259,3 milhões.
A acessibilidade é um dos principais diferenciais do novo edifício. Desenvolvida segundo os princípios do desenho universal, a Ala Galeria é integralmente acessível e tem acomodações adaptáveis. Os recursos de apoio podem ser instalados antes do check-in, conforme a necessidade de cada hóspede.
Entre as novidades estão a Suíte Galeria, com ambientes separados e varanda com lareira, e três novas categorias presidenciais, com salas integradas, quartos independentes, hidromassagem e sauna.
A expansão também traz um projeto artístico especial. Os 30 quartos da nova ala receberam um conjunto completo do Múltiplo Tunga, criado para celebrar os 20 anos do Instituto Inhotim: sete peças, entre elas um fac-símile de um manuscrito do artista sobre a instalação True Rouge e seis fotografias que registram sua última montagem acompanhada por Tunga.
Com a nova ala, o Clara Arte passa de seis para dez categorias de acomodação e coloca a acessibilidade no centro de sua nova fase.
Informações: Clara Arte.
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Clara Arte | Brumadinho, Minas Gerais
O resort oferece 76 acomodações, piscina externa climatizada e piscina coberta aquecida, sauna, academia, Spa by L’Occitane, brinquedoteca, playground, programação recreativa e gastronomia em regime de pensão completa.
Vale aproveitar a localização: o Clara Arte fica dentro da área do Instituto Inhotim. A hospedagem inclui ingressos para o museu e acesso a atividades culturais conforme a programação, uma oportunidade para conhecer o acervo e os jardins com mais tempo.
Reservas: Clara Resorts



