Um projeto de Holdlianh Beiró com cerâmicas Lepri inspira um guia para combinar piso, luz, fibras e peças artesanais sem perder de vista o uso cotidiano.
Uma casa acolhedora se revela na escala das escolhas: o piso sob os pés, a luz que atravessa uma divisória, a textura de uma cadeira. Para quem está construindo ou revendo os interiores, observar como esses elementos se relacionam pode ser mais útil do que procurar uma única peça capaz de transformar o ambiente.
O espaço Maison Deboá – Raízes Sensoriais, criado por Holdlianh Beiró para a CASACOR Minas 2026, oferece um ponto de partida. No projeto, a arquiteta reuniu referências de Minas Gerais e dos Açores, com barro, madeira, palha, fibras e objetos artesanais. Os revestimentos da Lepri foram fornecidos pela Terratile. A partir dessa composição, a BlackCard organiza cinco decisões para levar a conversa sobre materiais ao projeto da casa.
1. Comece pela superfície que organiza o ambiente
O piso costuma ocupar uma parcela expressiva do campo visual. Na Maison Deboá, a escolha foi a coleção Olaria Invecchiatto Terracota, no formato 5 x 10, de argila natural, organizada em um desenho orgânico. O exemplo mostra como uma superfície pode participar da identidade do espaço.
Antes de definir o revestimento de uma casa, vale comparar amostras em conjunto com paredes e marcenaria, sob a iluminação prevista. A escolha também precisa considerar onde o material será instalado. Solicite ao fornecedor as orientações de assentamento, limpeza e adequação ao uso; aparência e desempenho são perguntas diferentes dentro da mesma decisão.
2. Observe o percurso da luz
O Cobogó Toscano Rosso foi outro recurso do projeto. Sua estrutura vazada permite a passagem de luz e ventilação. A peça ajuda a pensar a divisão entre ambientes como uma escolha que também interfere na percepção dos espaços.
Em casa, o ponto de partida é identificar o que se deseja separar e o que precisa continuar conectado. Antes de reproduzir uma solução vista em mostra, discuta com o profissional responsável as condições reais de instalação, a exposição ao tempo e o grau de privacidade desejado. O desenho vazado deve responder à rotina de quem vai usar o lugar.
3. Combine texturas com uma hierarquia
Uma forma de conduzir a seleção é escolher uma superfície de maior presença e testar as demais ao seu lado. Um piso expressivo pode conversar com uma madeira de desenho discreto; uma trama aparente pode ganhar espaço quando o restante da composição oferece intervalos visuais.
Monte um pequeno conjunto de amostras físicas antes de fechar a compra. Observe relevo, brilho e tonalidade, além da cor isolada. Essa comparação permite perceber se há equilíbrio entre os materiais e se algum deles pede mais espaço na composição. Fotografias ajudam a registrar a pesquisa, mas não substituem o contato com a amostra.
4. Dê contexto às peças artesanais
Ao escolher um objeto feito à mão, pergunte quem o produziu, de onde vem e quais cuidados requer. Essa informação permite comprar com mais consciência do trabalho envolvido e guardar a história da peça junto dela. Evite atribuir origem ou técnica apenas pela aparência.
Na decoração, experimente primeiro a posição de poucos objetos, considerando proporção, circulação e uso dos móveis. Uma peça pode ganhar presença em uma superfície livre, ao alcance do olhar. O interesse está em construir uma relação com o que foi escolhido, sem transformar cada canto em uma exposição.
5. Faça a escolha caber na vida cotidiana
Antes de comprar, escreva como o ambiente funciona: quem circula por ele, onde há contato frequente com água, quanto tempo existe para a manutenção e quais superfícies recebem uso intenso. Leve essas perguntas à loja e ao profissional que acompanha o projeto.
Peça fichas técnicas, compare instruções de conservação e guarde a identificação dos produtos. Para fibras, tecidos e madeira, inclua as recomendações específicas dos fabricantes nessa consulta. Uma casa pode reunir texturas interessantes e, ao mesmo tempo, oferecer uma rotina de cuidado compatível com seus moradores. É essa coerência que sustenta as escolhas depois que a obra termina.
O projeto da Maison Deboá foi concebido para uma mostra. Aqui, ele funciona como referência de composição; as cinco decisões são uma leitura editorial para orientar a conversa com arquitetos, designers e fornecedores sobre uma casa concreta, com seus próprios hábitos e necessidades.
Fontes
Crédito: Jomar Bragança / Divulgação







