Referências dos anos 1970, materiais táteis, técnicas artesanais e reedições mostram que o design contemporâneo voltou a olhar para o passado sem abandonar o presente.
Durante muito tempo, a ideia de futuro no design esteve associada a superfícies impecáveis, tecnologia aparente e objetos que pareciam pertencer a um mundo ainda por vir.
Em 2026, parte dessa lógica começou a mudar.
Entre os movimentos observados nos principais eventos internacionais de design estão o retorno da madeira, do rattan, das técnicas manuais, do vidro trabalhado artesanalmente e de peças históricas reinterpretadas para novos contextos.
Na Milan Design Week deste ano, por exemplo, a Architectural Digest identificou uma retomada explícita do fazer manual, com projetos que colocam materiais, processos produtivos e técnicas artesanais no centro da narrativa. Madeira, vidro, tramas e referências a mobiliário das décadas passadas apareceram em diferentes instalações e coleções.
O passado virou repertório, não nostalgia
O interessante é que esse movimento não significa simplesmente reproduzir os anos 1970.
O que está voltando é uma certa liberdade daquele período: materiais naturais, volumes generosos, superfícies táteis e interiores menos preocupados em parecer perfeitos.
Reedições de peças históricas também ganharam espaço. Em vez de tratar o novo como valor absoluto, marcas e designers começam a reconhecer que algumas boas ideias não precisam ser substituídas. Podem ser relidas.
Há ainda uma reação evidente ao ambiente digital.
Quanto mais tempo passamos olhando para telas, maior parece ser o interesse por objetos capazes de mostrar textura, matéria e sinais de fabricação.
Talvez por isso o design contemporâneo esteja descobrindo que avançar nem sempre significa inventar algo que nunca existiu.
Às vezes, significa olhar novamente para aquilo que já sabíamos fazer bem.







