Na arquitetura contemporânea, a palavra biofilia passou a aparecer em projetos, lançamentos imobiliários e discursos de marcas. Em Bali, uma exposição propõe uma leitura mais rigorosa: a natureza não pode entrar apenas como elemento decorativo. Precisa participar da estrutura do edifício.
Essa é a ideia de “Architecture in Scale”, uma das exposições da Jia Curated 2026, encontro dedicado ao design, à arquitetura e ao artesanato que acontece de 13 a 17 de agosto, em Pengembak Beach, Sanur.
Com curadoria de Charmaine Chan, editora de design e cultura do South China Morning Post, a mostra reúne 25 maquetes de escritórios da Indonésia, Singapura, Taiwan e Japão.
Entre os participantes estão Kengo Kuma + Associates, IBUKU Studio, andramatin, Pan Projects, Chang Architects e Cheng Tsung Feng.
Biofilia além da decoração
Todos os projetos foram escolhidos a partir de um mesmo critério: a relação com a natureza deveria ser indispensável à arquitetura, e não apenas acrescentada ao final como recurso estético.
As maquetes permitem observar aspectos que nem sempre são percebidos em uma fotografia. Vazios responsáveis pela ventilação, sistemas de circulação da água, entradas de luz e a convivência entre vegetação e estrutura tornam-se mais claros quando o edifício pode ser visto como um sistema completo.
Um dos exemplos destacados é a Elok House, projetada pelo Chang Architects em Singapura. Construída em um terreno estreito, a residência incorpora poços de luz, vegetação, água e aberturas que atravessam diferentes pavimentos.
A mostra também acompanha uma mudança na discussão sobre o morar. Em cidades mais densas e submetidas a temperaturas crescentes, integrar natureza e arquitetura deixa de representar apenas uma escolha estética. Pode melhorar ventilação, luminosidade, conforto térmico e qualidade de vida.
Ao reunir projetos asiáticos em Bali, a Jia Curated chama atenção para um repertório desenvolvido em regiões onde clima, vegetação, materiais locais e modos comunitários de vida influenciam diretamente a construção.
A natureza, nesse contexto, não aparece como paisagem vista pela janela. Ela participa da própria lógica do espaço.




