Dez anos depois de suspender sua etiqueta, o designer belga retorna com produção limitada, venda direta e uma coleção feminina e masculina feita com tecidos de estoque excedente.
Há retornos que tentam repetir uma fórmula. O de Kris Van Assche parece interessado justamente no oposto: rever o passado com a liberdade que só o tempo oferece. O designer belga relança sua marca homônima em meados de setembro, pelo site próprio, com uma operação menor, direta ao consumidor e deliberadamente distante da velocidade do calendário tradicional.
A coleção terá cerca de 40 modelos, entre alfaiataria, camisas, calças, saias, vestidos e malhas. Peças emblemáticas do arquivo reaparecem ao lado de novos desenhos, todos produzidos em quantidades limitadas e com tecidos deadstock de alta qualidade. Camisas devem custar entre 400 e 500 euros, enquanto os paletós começam em torno de mil euros.
O gesto combina memória e pragmatismo. Depois de 11 anos à frente da Dior Homme e três anos na Berluti, Van Assche passou a explorar cerâmica, escultura e colaborações. Essa distância do sistema lhe permitiu imaginar uma maison mais pessoal, com controle próximo sobre produto, distribuição e narrativa.
O retorno ao feminino também é significativo. Formado em moda feminina pela Royal Academy of Fine Arts de Antuérpia, o estilista havia trabalhado a categoria em sua marca entre 2008 e 2010. Agora, ela volta sem o peso de uma expansão agressiva.
Em um mercado obcecado por escala, Van Assche aposta no valor do limite. É luxo entendido não como excesso, mas como precisão: menos peças, mais intenção e uma assinatura que não precisa gritar para ser reconhecida.







