A LVMH registrou receita de €18,5 bilhões no terceiro trimestre de 2026, com crescimento orgânico de 1% em relação ao mesmo período de 2025. O avanço desacelerou frente aos 3% do segundo trimestre e reuniu desempenhos diferentes: Moda e Artigos de Couro recuou 5%, enquanto Relógios e Joalheria cresceu 6% e o varejo seletivo, que inclui a Sephora, avançou 8%.
Os números divulgados em 12 de outubro mostram que a expansão do grupo ainda não se distribui de maneira uniforme entre suas atividades. A principal divisão, que reúne Louis Vuitton, Dior, Celine e Fendi, continua sendo um ponto de atenção.

A China pressiona o desempenho da moda
Segundo a LVMH, Moda e Artigos de Couro continuou se beneficiando do dinamismo do mercado americano, mas foi afetada pela desaceleração da demanda chinesa no trimestre.
Essa combinação ajuda a explicar por que o resultado consolidado precisa ser acompanhado de uma leitura por categoria e região. A queda da divisão não significa que todas as suas maisons tiveram o mesmo desempenho: o grupo não apresenta receitas individuais de cada marca nesse comunicado.
Para o mercado, a questão é como sustentar a escolha do consumidor em um ambiente menos favorável. Proposta criativa, produto, preço e atendimento participam dessa decisão, embora os resultados divulgados não permitam medir isoladamente o peso de cada fator.
Joalheria e varejo seletivo avançam
Relógios e Joalheria registrou crescimento orgânico de 6% no trimestre. O varejo seletivo avançou 8%, enquanto Vinhos e Destilados cresceu 6% e Perfumes e Cosméticos teve alta de 1%.
A diferença entre essas trajetórias impede tratar o luxo como um mercado de comportamento único. Mesmo dentro de um conglomerado, categorias atendem a ocasiões, expectativas e decisões de compra distintas.
Também é importante distinguir o resultado da divisão daquele de uma marca. Os 8% do varejo seletivo, por exemplo, não representam uma taxa individual de crescimento da Sephora.
Crescimento orgânico e receita reportada
Nos primeiros nove meses de 2026, a receita da LVMH alcançou €57,1 bilhões. O crescimento orgânico foi de 2%, mas a receita reportada caiu 2% frente ao mesmo período de 2025.
As medidas têm bases diferentes. O cálculo orgânico considera estrutura e taxas de câmbio comparáveis, permitindo observar a evolução da atividade sem esses efeitos.
O terceiro trimestre deixa uma leitura concreta: o grupo cresce, mas sua principal divisão enfrenta dificuldades. Para avaliar a continuidade dessa recuperação, será necessário acompanhar quais categorias avançam, em quais mercados e com que consistência.
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Atualização: a reação do mercado
As ações da LVMH abriram em baixa em 13 de outubro, um dia depois da divulgação do resultado. Segundo a Reuters, os papéis foram indicados para abrir 3% abaixo e recuavam 2,7% na plataforma Tradegate em relação ao fechamento de segunda-feira, no início do pregão. A Richemont também recuava cerca de 2% no pré-mercado.
A cotação de abertura é um retrato daquele momento, não uma avaliação definitiva do trimestre. Ainda assim, ajuda a explicar a cautela dos investidores: o grupo cresceu 1% no total, mas sua divisão de maior peso, Moda e Artigos de Couro, recuou 5%, afetada pela desaceleração da demanda na China, segundo a companhia.






