Os números estão na mesa e não são animadores para o setor: entre 2023 e 2025, cerca de 80% do crescimento do mercado de luxo veio de aumentos de preço, não de volume. Agora, esse ciclo mostra sinais de esgotamento. Uma pesquisa recente com consumidores de alta renda aponta que 20% planejam gastar menos em moda de grife nos próximos 12 meses, e 30% pretendem reduzir compras de artigos de couro. LVMH, Kering e Hermès reportaram resultados fracos no primeiro trimestre de 2026 — e o mercado começa a questionar o que vem depois.
O segmento que resiste: a joalheria
No meio de um cenário de contenção, a joalheria continua sendo o ponto brilhante. A categoria tem performado consistentemente acima do restante do luxo, e os motivos são claros: os reajustes de preço foram mais graduais, o design ganhou identidade própria e há uma percepção forte de retenção de valor ao longo do tempo. A joia não é uma tendência — é um ativo. E o consumidor de luxo, neste momento de maior seletividade, está priorizando exatamente isso.
O luxo que vai sobreviver
O que o Business of Fashion chama de “era pós-crescimento” do luxo não é necessariamente uma crise — é uma recalibração. As marcas que constroem desejo genuíno, que têm savoir-faire real, que investem em narrativa e em relacionamento com seus clientes, tendem a atravessar esses ciclos com mais solidez. O luxo que sobrevive é o que entende que não basta aumentar o preço: é preciso continuar sendo desejado.







