LUXO

The Balvenie transforma 88 anos de tempo em whisky, arte e colecionismo

A The Balvenie lança a 1931 Collection com um single malt de 88 anos, limitado a 17 garrafas, em uma apresentação criada por Daniel Arsham. A colaboração aproxima whisky, arte, memória e cultura material.

No universo do whisky, tempo costuma aparecer como número.

12 anos. 18. 30. 50.

Publicidade

Na nova 1931 Collection, a The Balvenie tenta transformar esse tempo em algo mais visível.

O centro da coleção é um single malt de 88 anos, apresentado pela marca como o mais antigo já lançado por sua destilaria. A edição reúne apenas 17 garrafas e ganha uma apresentação criada em colaboração com Daniel Arsham, artista conhecido por trabalhar memória, arqueologia imaginária e transformação dos materiais.

É uma escolha particularmente coerente.

Se a The Balvenie constrói valor a partir daquilo que o tempo faz com o líquido, Arsham constrói boa parte de seu trabalho a partir daquilo que o tempo parece fazer com os objetos.

Quando o tempo deixa de ser apenas idade

O decanter de cristal soprado à mão foi desenhado a partir das formas dos alambiques de cobre da destilaria.

A peça recebe detalhes em ouro 18 quilates e uma estrutura com camadas de pátina aplicadas manualmente, inspiradas pelos tons oxidados encontrados em Speyside.

Na parte traseira, 88 camadas de carvalho fazem referência ao número de anos de maturação do whisky.

Nada disso é meramente decorativo.

A apresentação tenta materializar aquilo que normalmente permanece invisível.

Décadas de espera.

Oxidação.

Madeira.

Metal.

Transformação.

É justamente esse tipo de narrativa que aproxima destilados raros de outras categorias de colecionismo.

O valor deixa de estar apenas no conteúdo da garrafa.

Também está na história que o objeto consegue contar.

Daniel Arsham e a estética da passagem do tempo

A colaboração encontra terreno conhecido para Arsham.

Seu trabalho frequentemente transforma objetos reconhecíveis em peças que parecem ter sido encontradas em um futuro distante, como se já carregassem décadas ou séculos de erosão.

Na 1931 Collection, essa ideia aparece de maneira mais direta.

O artista não tenta fazer o whisky parecer antigo.

Ele tenta tornar o próprio tempo perceptível.

A coleção também inclui versões de 12 e 15 anos, com apresentações que retomam os tons de cobre, pátina e verde-azulado do lançamento de 88 anos.

Com isso, a The Balvenie cria uma linguagem visual comum para produtos de idades muito diferentes.

1931 como ponto de origem

A escolha do nome da coleção não se limita ao ano em que o whisky mais antigo começou sua trajetória.

1931 também marca a abertura da maltaria própria da The Balvenie, a Home Malt Floor, mantida em operação pela destilaria.

Esse detalhe ajuda a explicar por que o lançamento foi construído como um retorno às origens.

A raridade existe porque o whisky permaneceu sob cuidado da casa por quase nove décadas.

Segundo a narrativa apresentada pela destilaria, o líquido atingiu seu ponto ideal em 2019 e foi então engarrafado e preservado.

A partir daí, a história deixou de ser apenas sobre maturação.

Passou a ser também sobre decisão.

Publicidade

Saber esperar é importante.

Saber quando parar também.

Whisky encontra arte em Seul

A coleção foi apresentada durante a Frieze Seoul 2026, que aconteceu de 2 a 5 de setembro no COEX, em Seul. A programação da feira também destacou uma apresentação imersiva da The Balvenie com Daniel Arsham em 1º de setembro.

A escolha da Frieze reforça um movimento cada vez mais comum no luxo.

Whisky, moda, joalheria e relojoaria começam a ocupar os mesmos circuitos culturais da arte contemporânea.

Não apenas como patrocinadores.

Como produtos que querem ser percebidos também como objetos de repertório, autoria e colecionismo.

No caso da The Balvenie, essa aproximação funciona porque o tema central já estava presente desde o início.

Tempo.

No líquido.

Na madeira.

Na pátina.

Na memória.

Instagram: @thebalvenie / @danielarsham / @friezeofficial

Publicidade

Compartilhar