No dia 8 de julho, Pierpaolo Piccioli apresentou sua primeira coleção de Alta-Costura pela Balenciaga na Cité Internationale Universitaire de Paris. A escolha do espaço — longe dos salões históricos da Avenue George V, onde Cristóbal Balenciaga abriu sua maison — já era uma declaração de intenção: herança não como museu, mas como material vivo.
Foi a 55ª coleção couture da Balenciaga. Com muito rosa, penas de avestruz e uma leitura declarada sobre as origens da casa, Piccioli entregou uma coleção que coloca o corpo no centro — não a silhueta, não a estrutura arquitetônica, mas o corpo que usa a roupa e que carrega significado. Um ponto de virada depois de anos em que a Balenciaga se notabilizou mais pela provocação conceitual do que pelo lirismo de vestuário.
A trajetória que chegou até Paris
Piccioli passou mais de duas décadas na Valentino, onde construiu uma linguagem estética própria: romantismo com volume, cor com seriedade, emoção com rigor. Em maio de 2025, foi confirmado como diretor criativo da Balenciaga. Sua primeira coleção couture era, portanto, o teste mais exigente do novo capítulo.
O que a coleção entregou
A paleta centrada no rosa e o uso generoso de penas de avestruz trouxeram referências às décadas de 50 e 60 — quando Cristóbal Balenciaga era considerado o mestre incontestável da couture parisiense. Mas a mão era de Piccioli: sensorial, lírica e com atenção ao que o vestido faz quando está sendo vestido, não quando está parado numa vitrine.
O resultado é uma Balenciaga que respira. E isso, depois de alguns anos, já é por si só uma notícia.







