Hotelaria sustentável passa a influenciar escolhas dos viajantes
A sustentabilidade deixou de ser apenas um diferencial competitivo para se tornar parte da estratégia da hotelaria. Questões como uso racional de recursos, redução de resíduos, valorização da cultura local e impacto social passaram a influenciar tanto a gestão dos empreendimentos quanto a decisão dos hóspedes na hora de escolher onde se hospedar.
Segundo a CEO do Clara Resorts, Taiza Krueder, o comportamento do turista mudou nos últimos anos e hoje a experiência vai além do conforto e da infraestrutura.
“O turista atual quer entender como aquele empreendimento se relaciona com o meio ambiente, com os colaboradores e com a comunidade ao redor. Isso alterou a forma como a hotelaria pensa sua operação”, afirma.
À frente também do Clara Arte Resort, em Minas Gerais, Taiza lidera projetos que unem hospitalidade, arte, cultura e sustentabilidade. A proposta se reflete nas diferentes unidades do grupo.
No Clara Arte Resort, a proximidade com o Instituto Inhotim inspira experiências voltadas à arte, cultura e educação ambiental. Já o Clara Farm, em Dourado (SP), aproxima os hóspedes da produção agrícola e das práticas sustentáveis por meio de atividades no campo. No Clara Ibiúna, trilhas ecológicas e uma horta sensorial incentivam a conscientização ambiental durante a estadia.
A gastronomia também faz parte dessa estratégia, com valorização de ingredientes frescos, produção artesanal, hortas próprias e fornecedores locais.
Eficiência operacional impulsiona transformação da hotelaria
Além da experiência do hóspede, a sustentabilidade passou a ocupar espaço central na operação dos hotéis.
Para Taiza Krueder, reduzir desperdícios de água, energia e alimentos deixou de representar apenas economia e passou a integrar a estratégia dos empreendimentos.
“A sustentabilidade também envolve gestão eficiente. Redução de desperdícios, planejamento de consumo e aproveitamento de insumos passaram a fazer parte da estratégia dos hotéis”, destaca.
Ela explica que a aproximação com produtores locais fortalece a economia regional, reduz impactos logísticos e contribui para cadeias de abastecimento mais sustentáveis.
“Quando existe proximidade com fornecedores locais, há impacto na economia regional, na logística e até no desperdício. É uma mudança que afeta toda a cadeia”, completa.
Outro movimento observado no setor é a mudança no conceito de luxo. Segundo a executiva, experiências ligadas ao contato com a natureza, bem-estar e autenticidade cultural ganham cada vez mais relevância entre os viajantes.
“Existe uma procura maior por ambientes integrados à natureza, atividades culturais e experiências mais conscientes. O comportamento do consumidor mudou e isso impacta diretamente o setor”, afirma.
Para a CEO do Clara Resorts, a tendência é que sustentabilidade, eficiência operacional e conexão com o território deixem de atuar separadamente e passem a integrar definitivamente o modelo de negócios da hotelaria.



