MODA

Em uma moda viciada em novidade, Max Mara fez da permanência uma estratégia

Aos 75 anos, Max Mara reafirma seus códigos e mostra como consistência pode ser uma poderosa ferramenta de brand equity.

Poucas palavras parecem tão sedutoras para a moda quanto novidade. A Max Mara, aos 75 anos, oferece um bom argumento para lembrar que permanência também pode produzir desejo.

Durante as comemorações do aniversário, a marca relançou três casacos de arquivo. As peças foram atualizadas em materiais, mas preservaram suas silhuetas originais. O resultado comercial foi imediato: os modelos esgotaram rapidamente.

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O dado interessa menos como prova de nostalgia e mais como demonstração de brand equity. As formas continuavam reconhecíveis décadas depois porque a Max Mara passou boa parte de sua história protegendo uma identidade visual clara.

Em um setor que atravessa sucessivas trocas de diretores criativos, rebrandings e tentativas de reinvenção, existe algo quase radical em não mudar de personalidade a cada temporada.

A consistência não significa imobilidade. A marca continua ajustando materiais, proporções, comunicação e distribuição. O que permanece é um conjunto de códigos que permite reconhecer um casaco Max Mara sem que o logotipo precise ocupar o centro.

Essa talvez seja uma das discussões mais relevantes para o luxo hoje. Marcas fortes precisam evoluir, mas nem sempre precisam romper com aquilo que fizeram bem.

Quando um produto de arquivo continua desejável décadas depois, o passado deixa de ser apenas patrimônio. Torna-se ativo comercial.

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