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Moncler sente a queda do turismo europeu, enquanto Stone Island avança

Grupo italiano registra receita estável no terceiro trimestre de 2026, com retração da Moncler na Europa e crescimento de 5% da Stone Island.

O enfraquecimento do turismo internacional na Europa começa a aparecer com mais intensidade nos resultados das marcas de luxo. A Moncler, conhecida por suas jaquetas acolchoadas e pelo posicionamento que aproxima moda e universo esportivo, encerrou o terceiro trimestre de 2026 com queda nas vendas, enquanto a Stone Island, também pertencente ao grupo italiano, apresentou crescimento.

Divulgados em 21 de outubro, os resultados mostram que o Moncler Group registrou receita de € 605,5 milhões entre julho e setembro, praticamente estável em relação ao mesmo período do ano anterior, considerando câmbio constante. Nos primeiros nove meses de 2026, o faturamento consolidado alcançou € 1,895 bilhão, avanço de 6% na mesma base de comparação.

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Turismo internacional pressiona as vendas da Moncler

A marca Moncler registrou receita trimestral de € 499,6 milhões, retração de 1% em câmbio constante. O principal desafio apareceu na região que reúne Europa, Oriente Médio e África, onde as vendas recuaram 8%.

Segundo a companhia, o desempenho foi influenciado pela redução do fluxo de turistas, especialmente asiáticos, além de um ambiente de consumo mais cauteloso. As vendas diretas ao consumidor, realizadas em lojas próprias e canais digitais, diminuíram 2% no trimestre.

O comportamento variou entre os mercados. Na Ásia, a Moncler cresceu 5%, com resultados positivos no Japão e na Coreia do Sul. Nas Américas, o avanço foi de 2%, embora em ritmo inferior ao observado anteriormente.

Outro fator acompanhado pela empresa é a temperatura. Com uma identidade historicamente associada às roupas de inverno, a Moncler enfrenta o desafio de reduzir a dependência das estações mais frias. Para 2027, o grupo pretende ampliar o investimento nas coleções primavera-verão e aumentar a presença de peças leves nas lojas.

Stone Island apresenta crescimento em diferentes mercados

Enquanto a Moncler enfrentou um trimestre mais difícil, a Stone Island registrou receita de € 105,9 milhões, crescimento de 5% em câmbio constante.

O resultado foi sustentado tanto pelas vendas diretas quanto pelo canal de atacado, que avançaram 2% e 7%, respectivamente. A Ásia apresentou crescimento de 19%, enquanto as Américas avançaram 13%.

Na Europa, o desempenho permaneceu estável, em parte pela decisão da marca de reduzir descontos e atividades promocionais. A estratégia procura fortalecer as vendas a preço integral e preservar o posicionamento comercial da Stone Island.

Conhecida pela pesquisa de materiais, pelos processos de tingimento e pela relação com a cultura urbana, a marca ocupa um espaço diferente dentro do grupo. Essa identidade ajuda a explicar por que seus resultados não acompanham necessariamente o mesmo ritmo da Moncler.

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O que os resultados revelam sobre o mercado de luxo

A diferença entre as duas marcas mostra como o desempenho do setor depende de fatores que ultrapassam o desejo por determinados produtos. Fluxos turísticos, condições climáticas, estratégias de distribuição e comportamento dos consumidores influenciam diretamente os resultados.

Para a Moncler, o desafio é ampliar a relevância de seu portfólio ao longo do ano sem perder a identidade construída em torno das roupas de inverno. Para a Stone Island, o crescimento oferece espaço para continuar investindo na distribuição e na valorização de seus produtos.

O terceiro trimestre representa apenas uma parte do calendário comercial do grupo, cuja atividade mantém forte relação com a temporada de inverno. Ainda assim, os números revelam um cenário no qual a expansão internacional exige atenção cada vez maior às particularidades de cada mercado.

A combinação entre a desaceleração da Moncler e o avanço da Stone Island reforça uma questão central para a indústria do luxo: marcas pertencentes ao mesmo grupo podem responder de maneiras bastante diferentes às mudanças no consumo global.

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