O escritório Anna & Eugeni Bach concluiu em 2026 a renovação e ampliação de uma casa em Fonolleres, pequeno povoado do Empordà, na Catalunha. A residência, construída no início dos anos 2000, fica no limite da área urbana. Em vez de substituí-la por um volume inteiramente novo, os arquitetos preservaram parte da estrutura e acrescentaram elementos independentes para atender a funções específicas.
O projeto parte da maneira como as casas do povoado foram transformadas ao longo do tempo. Em Fonolleres, construções antigas revelam ampliações sucessivas, feitas conforme as necessidades de cada família. Anna e Eugeni Bach adotaram essa lógica como princípio de desenho. A entrada, o alpendre, a churrasqueira e a pérgola aparecem como peças com forma própria, conectadas ao edifício principal sem perder sua identidade.
O alpendre é formado por sete pórticos que avançam sobre a piscina existente. A cobertura amplia a área de permanência ao ar livre e permite usar o espaço mesmo sob o sol forte do verão mediterrâneo. Uma churrasqueira triangular foi posicionada junto à fachada, enquanto uma pérgola circular protege a mesa externa. No terraço superior, pequenas coberturas circulares oferecem sombra aos quartos e assumem outra função quando acesas à noite.
Madeira, cerâmica e revestimento mineral aproximam as partes novas da paisagem construída do vilarejo. A cerâmica foi queimada em forno a lenha para chegar a um tom relacionado às pedras e às superfícies ocres locais. A casa não tenta desaparecer no entorno, mas também não impõe uma linguagem alheia ao lugar. Seus acréscimos parecem ter surgido em momentos distintos, embora pertençam ao mesmo projeto.
No interior, a ampliação abriga estudo e biblioteca no térreo, com o quarto principal acima. Um vazio de pé-direito duplo liga os ambientes. Atrás da cabeceira, um pequeno espaço de leitura, inspirado na ideia de um studiolo, aproveita essa relação vertical. A solução oferece um lugar mais reservado dentro de uma casa que, no restante, favorece a circulação entre salas, alpendre e jardim.
Com 350 metros quadrados de área construída, a residência mostra como o conforto pode resultar de decisões arquitetônicas simples e precisas. A sombra aparece onde as pessoas sentam, cozinham ou atravessam a casa; a piscina participa do percurso diário; os materiais respondem à escala do povoado. O luxo, aqui, não depende de separar a residência de seu contexto. Está na possibilidade de viver os espaços externos por mais horas do dia e em mais estações do ano.







