A marca espanhola deixará de exibir rostos identificáveis de menores em seus canais próprios e propõe uma conversa sobre imagem, privacidade e infância na era digital.
A Pablosky anunciou que deixará de mostrar rostos identificáveis de crianças em suas campanhas, site, redes sociais, newsletters e outros materiais próprios. A marca espanhola de calçados infantis afirma que continuará incluindo crianças em suas produções, mas dará prioridade a enquadramentos de movimento, brincadeiras, gestos, pés e produto.
A decisão parte de uma preocupação concreta: imagens publicadas na internet podem circular, ser guardadas e reaparecer em contextos que escapam ao controle de quem as compartilhou. O avanço das ferramentas de inteligência artificial amplia o debate sobre a exposição digital de menores.
Em seu comunicado, a empresa apresenta a mudança como um compromisso próprio, e não como uma regra que pretende impor a outras marcas ou famílias. Também afirma que buscará apoio especializado para rever seus critérios de comunicação.
A infância para além do retrato
A decisão oferece um novo caminho visual para a publicidade infantil. Em vez de depender de retratos frontais, uma campanha pode contar histórias por meio de movimento, mãos, pés, objetos, cenários e interações cotidianas. O produto continua presente, mas a identidade da criança deixa de ser o principal recurso narrativo.
A marca também divulgou dados de uma pesquisa com pais na Espanha, encomendada por ela à Toluna. Por se tratar de levantamento de encomenda própria, os números indicam o contexto em que a decisão foi tomada, não um retrato do comportamento das famílias em geral.
A iniciativa da Pablosky não resolve, sozinha, as questões de privacidade digital. Ainda assim, abre uma discussão relevante para marcas que trabalham com imagens de crianças: quais informações precisam aparecer para comunicar uma história e quais podem ser preservadas?







