LUXO

A. Lange & Söhne atualiza seus clássicos com novas proporções, cores e alta complexidade

A manufatura saxônica amplia duas de suas famílias mais reconhecidas com novas leituras do 1815 UP/DOWN e do TRIPLE SPLIT. O resultado mostra como cor, proporção e engenharia podem atualizar códigos clássicos sem romper com a identidade da marca.

Na alta relojoaria, novidade nem sempre significa ruptura.

Às vezes, o movimento mais interessante acontece quando uma marca altera poucos elementos, mas muda completamente a percepção de um relógio.

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É esse exercício que a A. Lange & Söhne propõe em seus lançamentos mais recentes.

A manufatura de Glashütte apresenta duas novas versões do 1815 UP/DOWN, em ouro branco e ouro rosa, e uma nova interpretação em platina do TRIPLE SPLIT, um dos cronógrafos tecnicamente mais complexos de seu portfólio. As novidades foram apresentadas em setembro e estão confirmadas pela própria marca.

O clássico ganha outra presença

O 1815 UP/DOWN parte diretamente da tradição dos relógios de bolso saxônicos.

Seu nome remete ao ano de nascimento de Ferdinand Adolph Lange, fundador da manufatura, e o indicador de reserva de marcha AUF/AB tem raízes históricas na própria relojoaria da marca. A. Lange & Söhne registrou ainda no século XIX uma patente para um sistema destinado a indicar quanto tempo restava antes que um relógio estivesse completamente sem corda.

Nas novas edições, essa herança aparece em uma caixa compacta de 37,5 mm, combinada a mostrador azul e pequenos mostradores auxiliares em tom argenté.

O efeito é interessante porque preserva elementos muito tradicionais, como numerais arábicos, escala de minutos em estilo ferroviário e ponteiros de desenho clássico, mas altera a atmosfera da peça por meio da cor.

As versões em ouro branco e ouro rosa são limitadas a 300 unidades cada. No interior está o calibre manual L051.2, com reserva de marcha de até 72 horas.

A complicação que dá nome ao relógio não foi adicionada como módulo separado. Ela é integrada ao movimento por um sistema de engrenagens planetárias pensado para economizar espaço.

É um detalhe técnico que ajuda a explicar por que o relógio mantém proporções tão contidas.

Quando complexidade não precisa parecer excessiva

O TRIPLE SPLIT trabalha no extremo oposto.

Apresentado originalmente em 2018, o modelo continua sendo, segundo a A. Lange & Söhne, o único cronógrafo mecânico rattrapante capaz de medir tempos comparativos e intermediários de até 12 horas.

A função é possível porque o princípio dos ponteiros divididos não está restrito aos segundos.

Ele se estende também aos contadores de minutos e horas.

Na prática, isso permite acompanhar diferentes intervalos de tempo simultaneamente, algo particularmente relevante em situações de longa duração.

A nova edição recebe caixa de platina 950 de 43,2 mm, mostrador rhodié e pequenos mostradores em cinza mais escuro, além de ponteiros rattrapante azulados. A produção será limitada a 100 exemplares.

Por trás do mostrador está o calibre manual L132.1, composto por 567 componentes.

É justamente aí que a A. Lange & Söhne ocupa um território particular.

A complexidade mecânica é enorme, mas visualmente o relógio continua obedecendo a uma disciplina bastante clara.

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O valor da continuidade

Os dois lançamentos mostram estratégias diferentes dentro da mesma ideia.

No 1815 UP/DOWN, a novidade está principalmente na proporção e na combinação cromática.

No TRIPLE SPLIT, está na releitura estética de uma arquitetura mecânica já extraordinariamente complexa.

Nenhum dos dois precisa abandonar o passado para parecer atual.

Essa talvez seja uma das diferenças mais importantes entre tradição e nostalgia.

Nostalgia tenta reproduzir um momento.

Tradição consegue continuar produzindo a partir dele.

Na relojoaria de alto nível, onde reconhecimento e permanência têm tanto peso quanto novidade, essa capacidade de mudar sem perder identidade continua sendo um dos ativos mais difíceis de construir.

Instagram: @alangesoehne

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