A Fondazione Prada preserva o estúdio de Jean-Luc Godard como um retrato tridimensional de sua maneira de pensar e produzir cinema.
Uma mesa, televisores, monitores, livros, tapetes, pinturas, equipamentos de edição e objetos pessoais.
Separadamente, parecem apenas coisas.
Juntos, começam a explicar Jean-Luc Godard.
Le Studio d’Orphée, instalado na Fondazione Prada, em Milão, reconstrói o ambiente doméstico e profissional em que o cineasta trabalhou em Rolle, na Suíça. Equipamentos, mobiliário e objetos foram transferidos para o espaço expositivo procurando manter as relações existentes no atelier original.
O processo também pode virar acervo
Museus tradicionalmente preservam a obra pronta.
Mas há crescente interesse também por aquilo que existia ao redor da criação.
Cadernos, ateliês, bibliotecas e ferramentas conseguem revelar decisões que uma obra final frequentemente esconde.
No caso de Godard, isso ganha uma dimensão especial.
Seu cinema sempre esteve ligado à montagem, à justaposição e à possibilidade de conectar imagens que originalmente não pertenciam umas às outras.
Seu estúdio parece funcionar da mesma maneira.
Pinturas convivem com telas. Livros aparecem ao lado de tecnologia. Móveis domésticos dividem espaço com equipamentos profissionais.
Não existe uma fronteira clara entre viver, olhar e editar.
Talvez por isso a instalação seja tão reveladora.
Entrar no ambiente onde um artista produziu não permite descobrir exatamente como ele pensava.
Mas mostra o mundo que ele escolheu manter ao alcance dos olhos.
Crédito: Fondazione Prada / divulgação







