Exposição reúne 26 artistas de diferentes gerações e regiões do Brasil para celebrar os 10 anos da Janaina Torres Galeria.
Uma década de galeria não se mede apenas pelo número de exposições realizadas ou pelas obras que entraram em coleções importantes.
Também se mede pelas conversas que conseguiu criar.
A Janaina Torres Galeria celebra seus 10 anos com a coletiva É Tempo Ainda, que reúne 26 artistas de diferentes gerações, regiões e trajetórias a partir de 15 de agosto, em São Paulo.
Com curadoria de Heloisa Amaral Peixoto, a exposição funciona como uma leitura da identidade construída pela galeria desde 2016. Em vez de apresentar uma retrospectiva fechada, a mostra coloca lado a lado produções que atravessam tempos, linguagens e experiências distintas.
Participam artistas representados pela galeria ao longo da última década e nomes convidados, como Antônio Obá, Efrain Almeida e Regina Silveira.
O encontro como método
Pinturas de Pedro Moraleida e Deborah Paiva convivem com esculturas de Antônio Oloxedê e trabalhos de artistas como Manuela Navas, Marga Ledora, Sandra Mazzini, Feco Hamburger e Jeane Terra.
Essa convivência cria um percurso que passa pelo figurativismo, pela abstração, pela paisagem, pelo retrato social, pelo experimentalismo e pela performance.
A proposta não é organizar a arte brasileira em uma narrativa linear. É mostrar como diferentes pesquisas podem se transformar quando colocadas em relação.
“Estamos muito felizes em apresentar uma exposição que espelha esse encontro de gerações e temporalidades como ambiente profícuo para o fortalecimento e constante florescimento da arte no Brasil”, afirma Janaina Torres.
A pluralidade também aparece na origem dos artistas. A coletiva reúne nomes das cinco regiões do país, alguns deles residentes no exterior, ampliando a compreensão sobre o que forma a produção contemporânea brasileira.
Dez anos sem reduzir a arte ao mercado
Ao longo de sua trajetória, a Janaina Torres Galeria construiu um programa atento às questões formais, sociais, políticas e culturais que atravessam o trabalho de seus artistas.
Essa escolha também orienta a relação com o mercado.
“É preciso coragem para propor diálogos artísticos improváveis, que conversem com o mercado sempre, mas que não sejam ditados apenas por ele. Acredito que esse balanço entre ousadia, sensibilidade e humanidade é o que traz vigor aos nossos projetos, na medida em que convida o público à reflexão”, diz Janaina Torres.
A fala ajuda a compreender a posição da galeria dentro do circuito contemporâneo. O trabalho comercial existe, mas não substitui o compromisso com a pesquisa, a construção de carreira e a circulação institucional dos artistas.
Ao longo da década, a galeria estabeleceu parcerias com instituições como Pinacoteca de São Paulo, Instituto Inhotim, Museu de Arte do Rio, Museo Reina Sofía e Museum of Latin American Art, além de participar de feiras como SP-Arte, ArtRio, Pinta Miami e Zona MACO.
É Tempo Ainda transforma esse percurso em uma exposição aberta, mais interessada em continuidade do que em conclusão.
O título parece guardar justamente essa ideia. Há um tempo vivido, com escolhas, obras e relações já construídas. Mas há também um tempo que permanece disponível para novos encontros, riscos e leituras.
Celebrar uma década, nesse caso, não significa olhar apenas para trás. Significa reconhecer o que foi construído e perguntar o que ainda pode começar.
Serviço
É Tempo Ainda
Vernissage: 15 de agosto, das 14h às 18h
Visitação: de 15 de agosto a 17 de outubro
Horários: terça a sexta, das 10h às 18h, e sábados, das 10h às 16h
Local: Janaina Torres Galeria
Endereço: Rua Vitorino Carmilo, 427, Barra Funda, São Paulo
Entrada gratuita
Classificação livre
Espaço acessível para cadeirantes







