DÉCOR

A sala voltou a querer conversa

Há tendências de interiores que reaparecem por nostalgia. E há outras que voltam porque respondem, com precisão, a um novo estado de espírito. O retorno do conversation pit parece pertencer ao segundo grupo. Popular…

Há tendências de interiores que reaparecem por nostalgia.

E há outras que voltam porque respondem, com precisão, a um novo estado de espírito.

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O retorno do conversation pit parece pertencer ao segundo grupo.

Popular em diferentes projetos do século XX, o recurso organiza assentos em um plano rebaixado, formando uma espécie de sala dentro da sala. Mais do que solução formal, ele altera a dinâmica do ambiente: reduz distância, orienta o olhar para as pessoas e convida à permanência.

O fascínio atual por essa tipologia diz bastante sobre o momento em que vivemos.

Depois da sala de TV, a sala de convivência

Durante anos, muitos interiores foram desenhados em torno de um eixo muito claro: a tela.

Primeiro a televisão.

Depois o home theater.

Agora o celular, que fragmentou ainda mais a atenção dentro de casa.

O conversation pit atua quase como um gesto contrário.

Ele propõe uma espacialidade menos dispersa e mais centrada no encontro. A pessoa entra, senta e inevitavelmente se vê voltada para o outro.

Em vez de organizar a sala ao redor de um aparelho, organiza-se o espaço ao redor da conversa.

É um movimento que acompanha outras mudanças já visíveis na casa contemporânea: mais livros, mais objetos afetivos, mais materiais táteis, menos vontade de parecer um cenário montado para o feed.

O design como resposta ao cansaço digital

Por trás do retorno desse tipo de ambiente existe também uma fadiga cultural.

Vivemos cercados de interfaces, notificações, fluxos de imagem e estímulos fragmentados. Nesse contexto, a casa começa a ser imaginada novamente como refúgio e edição de ritmo.

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O conversation pit interessa porque não entrega apenas estética.

Entrega comportamento.

É design que sugere um modo de ocupar o espaço.

Um espaço em que estar junto recupera centralidade.

Talvez por isso a tendência faça tanto sentido agora.

Mais do que um resgate formal, ela parece uma pequena correção de rota:

depois de anos desenhando ambientes para telas, voltamos a desejar ambientes para pessoas.

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