A Akris levou a obra da artista colombiana Olga de Amaral para sua coleção de outono 2026. O encontro foi conduzido por Albert Kriemler, diretor criativo da casa suíça, e parte de um interesse compartilhado pela matéria têxtil. Amaral trabalha com tramas, relevo e luz; Kriemler traduziu essas qualidades em roupas cuja construção importa tanto quanto a silhueta. A coleção já está apresentada no site oficial da marca, com peças disponíveis para consulta e compra conforme o mercado.
A referência não se limita a reproduzir uma imagem sobre o tecido. Jacquards fragmentados, camadas de malha, couro, crina e superfícies tecidas procuram transportar para o vestir a profundidade que se percebe nas obras de Amaral. O dourado, presença decisiva na produção da artista, aparece em couro luminoso, jacquards e franjas de paetês desenvolvidas com a empresa suíça Jakob Schlaepfer. Nas imagens da coleção, a luz modifica a leitura das peças à medida que elas se movem.
Olga de Amaral ocupa um lugar singular na arte têxtil latino-americana. Sua prática recusa a ideia de que o tecido deva servir apenas como suporte decorativo. Fios, metais e técnicas de tecelagem assumem presença física, por vezes próxima da escultura. Akris encontra nesse trabalho uma afinidade com sua própria atenção aos materiais. O resultado é mais convincente quando a roupa preserva a autonomia de vestuário, em vez de tentar representar literalmente uma obra de arte.
Essa tensão aparece em peças como o vestido de seda com franjas Oro Lienzo e em casacos de jacquard que exploram relevo e mudança de superfície. A marca também apresenta uma evolução do conceito Duo, no qual uma jaqueta pode ser usada de formas distintas, junto a um colete de couro ou separadamente. O recurso insere versatilidade em uma coleção de forte presença visual, lembrando que uma peça pode ter interesse artístico sem abandonar a pergunta prática sobre como será vestida.
A colaboração aproxima dois repertórios frequentemente colocados em campos separados, o da moda de luxo europeia e o da arte têxtil colombiana. Ela ganha força quando a origem das referências é nomeada e a participação de Amaral não se torna um detalhe de campanha. No site da Akris, seu nome aparece no centro da apresentação e a coleção é descrita a partir das relações entre textura, luz e ofício. Para o leitor, esse contexto muda a maneira de olhar as roupas: cada superfície deixa de ser apenas acabamento e passa a indicar uma escolha de construção.






