Renovado até 2030, acordo conecta Itaú Personnalité e Private Bank a hotéis Fasano, gastronomia, clubes, compras, arte e experiências no Brasil e no exterior
A relação entre um banco e seus clientes de alta renda está mudando de lugar. Ela continua na gestão financeira, naturalmente, mas passa também pelo hotel escolhido para uma viagem, pela mesa de um restaurante, pelo esporte, pela arte e até pela maneira como se circula por um shopping.
A BlackCard acompanhou, em São Paulo, a apresentação da nova fase da parceria entre Itaú e JHSF, um movimento que ajuda a entender essa transformação.
Iniciado em 2023 e agora renovado até 2030, o acordo amplia a presença dos benefícios oferecidos a clientes Itaú Personnalité e Itaú Private Bank dentro do ecossistema da JHSF. Entram nesse mapa o Shopping Cidade Jardim, Boa Vista Village, clubes da companhia e hotéis e restaurantes Fasano, incluindo endereços internacionais e futuros empreendimentos.
A escala chama atenção. Mas o aspecto mais interessante está na lógica por trás dela: o relacionamento bancário começa a acompanhar momentos da vida que acontecem longe de uma agência ou de uma tela.
Do banco para a vida do cliente
Hotelaria, gastronomia, viagens, compras, esporte, cultura e conveniência formam a nova geografia dessa relação.
Nos hotéis Fasano participantes, clientes elegíveis passam a ter condições como acesso à melhor tarifa disponível, welcome drink e possibilidade de early check-in e late check-out, conforme disponibilidade. Há ainda benefícios específicos que incluem massagem de 50 minutos e, para portadores elegíveis dos cartões World Legend Private e Personnalité, terceira noite de hospedagem como cortesia.
A parceria atravessa fronteiras. Estão contempladas unidades Fasano em destinos como Nova York e Punta del Este, enquanto futuros empreendimentos, entre eles o Fasano Miami, estão previstos no avanço do acordo.
Na gastronomia, a estratégia aparece em menus especiais de aniversário, isenção de taxa de rolha, cortesias e outras experiências em restaurantes participantes.
São vantagens concretas, mas vistas em conjunto contam uma história maior. O banco procura estar presente não somente quando o cliente organiza seu patrimônio, mas também quando viaja, comemora, encontra amigos ou escolhe onde passar alguns dias.
É uma mudança importante na própria ideia de fidelidade.
O valor do acesso
No universo das compras e da conveniência, a parceria inclui valet gratuito em shoppings selecionados, personal shopper do CJ Fashion e utilização do VIC Room para públicos elegíveis.
O esporte entra na equação por meio do São Paulo Surf Club, com condições especiais para associação e benefícios que incluem valet e experiências gastronômicas. Outros ativos da JHSF, como o CJ Faria Lima e o CJ Boa Vista Village, também integram esse território ampliado.
O que emerge é uma espécie de ecossistema de relacionamento.
Para o Itaú Personnalité, essa construção está conectada ao Minhas Vantagens, programa que reconhece a profundidade da relação do cliente com o banco por meio de benefícios, soluções e experiências.
“Conhecer nossos clientes significa compreender seus interesses, suas escolhas e a forma como vivem, para oferecer experiências e benefícios que façam sentido em diferentes momentos de suas vidas”, afirma Adriana dos Santos, diretora do Itaú Personnalité.
A executiva relaciona a ampliação da parceria justamente a essa estratégia de presença e reconhecimento do relacionamento.
No Private Bank, a leitura avança para outro ponto sensível desse mercado: patrimônio e estilo de vida já não são tratados como universos completamente separados.
“A gestão patrimonial é essencial, mas sabemos que nossos clientes esperam uma relação que vá além do universo financeiro”, afirma Paola Sarkis, diretora comercial do Itaú Private Bank.
É uma frase que ajuda a explicar o movimento inteiro.
Um novo espaço do Personnalité no Cidade Jardim
Essa estratégia ganhou uma tradução física no Shopping Cidade Jardim, onde o Itaú Personnalité reinaugurou seu espaço.
Com aproximadamente 200 metros quadrados, quase o dobro da área anterior, o ambiente foi redesenhado para combinar atendimento especializado, convivência e café. O espaço também pode receber desde assessoria de investimentos até eventos para clientes.
Um detalhe merece atenção especial: há uma galeria de arte com curadoria do Itaú Cultural.
A presença da arte não parece acessória dentro dessa estratégia. Ela aproxima duas áreas de atuação já reconhecíveis do Itaú, serviços financeiros e cultura, em um endereço frequentado pelo mesmo público que o banco pretende acompanhar em outros momentos de sua rotina.
O lounge funciona, assim, como uma síntese física da proposta. Em vez de reproduzir uma agência tradicional dentro de um shopping, o Itaú cria um ponto de relacionamento inserido no contexto do Cidade Jardim.
Por que bancos estão olhando para experiências
No segmento de alta renda, bons produtos financeiros, atendimento e tecnologia são requisitos básicos. A diferenciação passa a acontecer também em territórios menos óbvios.
A parceria entre Itaú e JHSF é particularmente interessante porque não se limita a uma ação isolada. O horizonte até 2030, a presença de diferentes ativos da JHSF e a previsão de incorporar futuros empreendimentos criam continuidade.
É diferente de oferecer um benefício pontual. A proposta é acompanhar uma jornada.
Isso também explica por que hospitalidade ocupa posição tão relevante no acordo. Uma estadia no Fasano, uma viagem internacional ou um fim de semana no Boa Vista Village produzem momentos de contato muito diferentes de uma interação bancária tradicional.
Para uma instituição financeira, entrar nesses momentos significa disputar algo que não aparece diretamente em uma planilha: relevância na vida cotidiana do cliente.
Itaú, JHSF e a construção de um ecossistema de desejo
Há ainda uma convergência de posicionamento.
A JHSF construiu um ecossistema que atravessa shopping centers, gastronomia, hotelaria, residências, clubes e destinos. O Itaú, por sua vez, busca ampliar a proposta de valor de Personnalité e Private para além da oferta financeira.
Quando esses dois universos se encontram, o benefício deixa de ser apenas desconto ou cortesia. O ativo mais valioso passa a ser acesso.
Acesso a condições especiais, espaços, serviços e momentos que façam sentido para aquele cliente.
Essa talvez seja a leitura mais interessante da nova fase da parceria.
No mercado de alta renda, relacionamento está deixando de ser medido somente pelo que uma empresa oferece dentro de sua própria categoria. Marcas querem construir ecossistemas capazes de acompanhar o consumidor entre diferentes momentos da vida.
Ao renovar o acordo até 2030 e ampliar sua presença no universo JHSF, o Itaú sinaliza que pretende ocupar esse território de maneira consistente.
E, para quem acompanha os movimentos do luxo, do consumo e dos serviços financeiros, há uma questão especialmente interessante daqui para frente: até onde pode chegar um banco quando decide que conhecer seu cliente significa também entender como ele vive?







