LUXO

Na Bvlgari, o titânio deixa de ser técnica e vira linguagem de design

No Geneva Watch Days 2026, a Bvlgari transforma o titânio no fio condutor de suas novidades relojoeiras. Entre alta mecânica, colaboração autoral e experimentação visual, a Maison mostra como um material pode se tornar parte da identidade de uma coleção.

Leveza e resistência explicam por que o titânio conquistou a alta relojoaria.

Mas, para a Bvlgari, essas características já não parecem suficientes para defini-lo.

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No Geneva Watch Days 2026, realizado em Genebra entre 2 e 4 de setembro, a Maison italiana volta ao material como ponto de partida para diferentes leituras de sua relojoaria contemporânea.

O titânio aparece no Octo Finissimo Dual Time × Vianney Halter, ganha uma superfície de ilusão óptica no Octo Finissimo Dazzle, retorna ao refinado formato de 37 mm do Octo Finissimo e chega à família Bvlgari Aluminium com os novos Titanio GMT e Chronograph.

São relógios bastante diferentes entre si, mas unidos por uma mesma ideia: um material técnico também pode construir linguagem.

Quando dois universos dividem o mesmo movimento

Entre as novidades, o Octo Finissimo Dual Time × Vianney Halter ocupa um lugar especial.

É a primeira vez que a Bvlgari convida um relojoeiro independente a trabalhar diretamente sobre o universo mecânico do Octo Finissimo.

Vianney Halter é conhecido por relógios que parecem pertencer simultaneamente ao passado e ao futuro, com referências à engenharia, à ficção científica e às máquinas da era industrial.

Na colaboração, essa linguagem encontra a geometria rigorosa do Octo.

Os quatro pequenos mostradores opalinos, os ponteiros azuis e o ponteiro vermelho de segundos carregam a assinatura visual de Halter, enquanto caixa e proporções preservam o reconhecimento imediato da coleção Bvlgari.

O relógio traz GMT, data e indicação de dia e noite e utiliza o novo calibre automático ultrafino BVF 200, com micro-rotor e 60 horas de reserva de marcha.

Serão duas edições limitadas: 30 peças em titânio e 15 em ouro rosa.

Mais interessante do que colocar dois nomes no mostrador é perceber onde a colaboração aconteceu.

Ela entrou na arquitetura do relógio.

É uma diferença importante em um mercado no qual collabs também passaram a disputar a atenção dos colecionadores.

O relógio que tenta desaparecer

No Octo Finissimo Dazzle, a Bvlgari segue por outro caminho.

A caixa, o mostrador e a pulseira de titânio recebem um padrão geométrico gravado a laser inspirado nas camuflagens utilizadas pela indústria automotiva para esconder as formas de protótipos durante testes.

O desenho fragmenta visualmente as linhas do relógio.

De perto, existe informação em praticamente toda a superfície. De longe, a forma parece perder definição.

É um jogo curioso para uma peça cuja função original depende justamente de legibilidade.

A edição, limitada a 80 unidades, mantém o calibre automático ultrafino BVL 138, com 2,23 mm de espessura e reserva de marcha de 60 horas.

A Bvlgari já havia usado o Octo Finissimo como espaço de diálogo com artistas e arquitetos. Aqui, a investigação deixa de estar apenas na decoração do mostrador e passa a envolver a própria percepção do objeto.

Do ultrafino ao relógio esportivo

O titânio também aparece em uma interpretação mais cotidiana.

A família Bvlgari Aluminium, lançada originalmente com a combinação pouco convencional de alumínio e borracha, ganha pela primeira vez versões construídas em titânio.

O Bvlgari Titanio GMT tem caixa de 40 mm e função para segundo fuso horário, enquanto o Titanio Chronograph chega com 41 mm e cronógrafo automático.

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Nos dois casos, o cinza fosco do metal se combina à borracha preta e aproxima a coleção de uma estética mais técnica.

Também faz parte desse ciclo o Octo Finissimo 37, apresentado em titânio com acabamento acetinado e polido e equipado com o calibre BVF 100, desenvolvido internamente, com 72 horas de reserva de marcha.

As novidades ajudam a entender por que a discussão sobre materiais se tornou tão importante para a relojoaria.

O ouro comunica uma história imediatamente.

O titânio precisou construir a sua.

Ao longo dos últimos anos, deixou de ser percebido apenas como solução para reduzir peso e aumentar resistência. Em determinadas coleções, tornou-se parte do desenho, da sensação no pulso e até da personalidade do relógio.

É esse território que a Bvlgari explora em Genebra.

O mesmo material pode desaparecer sob uma gravação óptica, sustentar uma colaboração de alta relojoaria, redefinir um relógio esportivo ou permitir proporções cada vez mais refinadas.

No luxo, matéria também é mensagem.

Instagram: @bvlgari

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