Em abril de 2026, Luca de Meo subiu ao palco em Florença para apresentar o ReconKering, seu plano estratégico para reposicionar o grupo que controla Gucci, Bottega Veneta, Saint Laurent e Balenciaga. Era o reconhecimento público do que o mercado já sabia: o Kering está em crise, e a Gucci — sua maior marca e principal gerador de receita — precisa ser reimaginada.
De Meo chegou ao grupo como um nome fora do padrão. Ex-CEO da Renault, ele é o primeiro líder do Kering que não vem da família Pinault nem do universo da moda. É exatamente por isso que o mercado observa com atenção: ele não carrega os vícios do setor, mas também não carrega seus códigos.
Três fases, um objetivo
O ReconKering divide a recuperação em três etapas: reset estrutural até o final de 2026, reconstrução até 2028 e retorno à liderança competitiva até 2030. A meta declarada é mais do que dobrar a margem operacional recorrente atual — que estava em 11,1% em 2025 — e elevar o retorno sobre capital empregado para mais de 20%. O plano também prevê que couro e bolsas representem 20% do negócio até 2030, contra os 10% de hoje.
A Gucci permanece no centro de tudo. A marca caiu do primeiro para o quinto lugar em desejabilidade global nos últimos anos — e De Meo não esconde que o objetivo é voltar ao topo. Com Demna Gvasalia à frente da criação, o grupo aposta na provocação calculada como antídoto para a indiferença.
Apostas e incertezas
A grande questão que o mercado ainda não sabe responder é se a linguagem de Demna — irreverente, disruptiva, construída no Balenciaga — vai funcionar para uma Gucci que historicamente se alimenta de sensualidade italiana e referência florentina. O primeiro desfile Cruise em Times Square foi um experimento. O próximo ano dirá se virou convicção.



