O cacau brasileiro atravessou o Atlântico acompanhado de histórias, sabores e novas possibilidades de negócios. De 9 a 11 de outubro de 2026, a Cordoaria Nacional, em Lisboa, recebeu mais uma edição da Brasil Origem Week, encontro que reuniu produtores, chefs, empreendedores e representantes da cultura brasileira.
Integrado ao Chocolat Festival, o evento apresentou um Brasil que vai além dos produtos tradicionalmente associados ao país. Na programação, chocolate, gastronomia regional, arte e empreendedorismo dividiram espaço com discussões sobre origem, sustentabilidade e oportunidades comerciais entre Brasil e Portugal.
O cacau como expressão de origem
Um dos protagonistas da edição foi o chocolate brasileiro. A participação de produtores e marcas permitiu apresentar ao público português diferentes expressões da produção nacional, em um momento em que procedência, qualidade e identidade territorial ganham importância no mercado de alimentos especiais.
O Pará, um dos principais polos produtores de cacau do Brasil, esteve entre os apoiadores da iniciativa. Sua presença reforça uma discussão que vai além da venda da matéria-prima: ampliar o valor da cadeia produtiva com beneficiamento, fabricação de chocolate e marcas ligadas à origem.
Para os produtores brasileiros, encontros internacionais também são a chance de fazer contatos, conhecer novos consumidores e entender as exigências de outros mercados.
A gastronomia brasileira além dos pratos conhecidos
A programação gastronômica apresentou ingredientes e receitas de diferentes regiões do país. O tucupi, a mandioca, a tapioca e o acarajé estiveram entre as referências levadas à capital portuguesa.
A chef Ana Carolina Miranda apresentou uma preparação com camarão, mandioca, tucupi e coentro. Marcos Monteiro levou uma interpretação do tradicional bolo de rolo com chocolate, enquanto Carol Brito destacou o acarajé baiano. O mestre chocolateiro Pedro Araújo conduziu uma harmonização entre chocolate e vinho.
A diversidade dessas apresentações ampliou a imagem da cozinha brasileira, muitas vezes reduzida, no exterior, a poucos pratos conhecidos.
Cultura e negócios na mesma conversa
Idealizada por Marco Lessa, a Brasil Origem Week também abriu espaço para a internacionalização de marcas e o empreendedorismo. Os Diálogos de Lisboa reuniram representantes de instituições, empresários e profissionais que atuam entre os dois países, em debates sobre oportunidades comerciais, adaptação a novos mercados e os desafios de empreender fora do Brasil.
O Fórum Mulher acrescentou conversas sobre liderança, longevidade profissional, saúde mental e expansão dos negócios. A dimensão cultural apareceu nas exposições de arte e fotografia e na programação musical, com a diversidade regional do país em cena.
Do produto à construção de valor
A Brasil Origem Week já passou por diferentes cidades europeias. Em Lisboa, a edição de 2025 recebeu mais de 15 mil visitantes, segundo os organizadores.
Além de apresentar produtos, a iniciativa levanta uma questão central: como transformar a diversidade produtiva e cultural brasileira em reconhecimento internacional. No chocolate, essa conversa passa por origem, qualidade, rastreabilidade e pela construção de marcas reconhecidas pelo que produzem, e não apenas pela matéria-prima que fornecem.
A passagem por Lisboa coloca o tema em circulação. O próximo passo é transformar visibilidade e novos contatos em relações comerciais duradouras.







