Ilustração, pintura, colagem e trabalhos manuais reaparecem na comunicação de moda em um momento de saturação das imagens artificiais.
Quanto mais fácil fica produzir uma imagem perfeita, mais interessante começa a parecer aquilo que não é.
Ilustrações, aquarelas, colagens, pinturas e trabalhos feitos à mão estão reaparecendo com força na comunicação de marcas de moda.
Uma análise recente do Business of Fashion identifica a aproximação entre maisons e artistas como uma resposta a um ambiente visual cada vez mais saturado por inteligência artificial e conteúdos produzidos em escala.
A tecnologia não está desaparecendo.
O que começa a mudar é o valor percebido daquilo que ela ainda não consegue substituir completamente: autoria.
Quando a imperfeição vira assinatura
A moda sempre teve uma relação próxima com artistas.
Elsa Schiaparelli trabalhou com Salvador Dalí. Louis Vuitton transformou colaborações com artistas em parte importante de sua história recente. Hermès há décadas convida ilustradores e criadores para interpretar seus universos.
O que muda agora é o contexto.
Ferramentas generativas tornaram possível criar rapidamente imagens sofisticadas, cenários inexistentes e campanhas inteiras com uma fração do custo e do tempo necessários anteriormente.
O resultado também trouxe uma consequência inesperada.
Quando qualquer imagem pode ser perfeita, a perfeição perde parte de sua capacidade de surpreender.
O traço de um ilustrador, a textura de uma tinta, uma colagem imperfeita ou um objeto construído fisicamente começam a carregar algo que se tornou mais raro: evidência de presença humana.
Para marcas de luxo, essa discussão é especialmente importante.
Grande parte do valor do setor foi construída sobre conceitos como savoir-faire, tempo, materialidade e autoria. Uma comunicação excessivamente artificial corre o risco de contradizer justamente aquilo que o produto pretende representar.
A inteligência artificial continuará fazendo parte da indústria.
Mas talvez sua expansão esteja produzindo um efeito curioso.
Em vez de eliminar o trabalho manual, pode estar tornando-o novamente desejável.
O novo luxo visual talvez seja simplesmente conseguir perceber que alguém esteve ali.







