MODA

Khaite transforma Raquel Zimmermann em presença cinematográfica

A Khaite apresenta sua campanha de inverno 2026 com Raquel Zimmermann diante das lentes de David Sims. Sob a direção criativa de Catherine Holstein, a série ocupa interiores escuros e comprimidos, nos quais couro,…

A Khaite apresenta sua campanha de inverno 2026 com Raquel Zimmermann diante das lentes de David Sims. Sob a direção criativa de Catherine Holstein, a série ocupa interiores escuros e comprimidos, nos quais couro, renda, movimento e luz constroem uma atmosfera de tensão controlada.

As imagens evitam uma narrativa linear. O cabelo em movimento, o brilho das superfícies e a proximidade das paredes fazem a modelo parecer simultaneamente dona da cena e parte de um ambiente prestes a mudar.

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Essa ambiguidade acompanha uma marca que transformou contraste e contenção em assinatura. A mulher da Khaite não precisa explicar sua presença. Ela se impõe pela postura, pelo modo como ocupa o espaço e pela relação quase física entre corpo e roupa.

Com direção de arte de Ezra Petronio e Lana Petrusevych, a campanha não tenta apresentar cada peça de maneira didática. Prefere estabelecer uma temperatura emocional, permitindo que silhuetas e texturas apareçam aos poucos.

A escolha de Raquel Zimmermann não é casual. A modelo brasileira atravessou diferentes fases da fotografia de moda e conhece a precisão exigida por imagens nas quais um gesto mínimo precisa sustentar toda a narrativa. Ela deixa de ser apenas o rosto da temporada e assume a função de personagem.

David Sims trabalha a imperfeição de modo calculado. O enquadramento apertado, a luz irregular e a sensação de movimento retiram a campanha do território excessivamente polido. A decisão ajuda a Khaite a se distinguir em um mercado saturado por imagens impecáveis, mas frequentemente intercambiáveis.

Campanhas de moda também definem quem a marca imagina como cliente e qual emoção deseja ocupar. No caso da Khaite, essa mulher é intensa, autônoma e difícil de interpretar. A distância produz desejo sem recorrer a uma ideia convencional de perfeição.

O produto continua central, mas ganha densidade por meio de uma imagem que não se esgota na primeira observação.

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