A exposição To Love, na Galeria Vermelho, recupera experimentações compartilhadas por dois nomes fundamentais da fotografia no Brasil.
Claudia Andujar é amplamente reconhecida por sua relação de décadas com o povo Yanomami.
A exposição To Love, em cartaz na Galeria Vermelho, em São Paulo, abre outra porta de entrada para sua trajetória.
Com curadoria de Eder Chiodetto, a mostra coloca sua produção em diálogo com a do fotógrafo americano George Love, com quem Andujar viveu uma relação afetiva e artística entre as décadas de 1960 e 1970.
Mais do que contar a história de um casal, a exposição investiga um momento em que os dois estavam expandindo os próprios limites da fotografia.
Fotografar também podia significar inventar
Monocromias, filmes infravermelhos, solarização, múltiplas exposições, intervenções de cor e projeções acompanhadas por música aparecem entre as pesquisas realizadas naquele período.
Segundo a Vermelho, o trabalho conjunto realizado inclusive no MASP ajudou a empurrar a fotografia para territórios que se aproximavam da pintura, da psicodelia e da experiência audiovisual.
Essa dimensão ajuda também a compreender a produção posterior de Andujar.
Ao registrar o universo Yanomami, a fotógrafa não se limitou à documentação direta. Luz, movimento e experimentação tornaram-se formas de aproximar a imagem de dimensões espirituais difíceis de representar literalmente.
O encontro com Love, portanto, não aparece como uma nota biográfica.
A exposição mostra como duas pesquisas podem viver perto o suficiente para uma alterar as possibilidades da outra.
Talvez seja esse o verdadeiro tema de To Love.
Não apenas amor entre artistas.
Mas influência sem autoria perdida.
Crédito: Filipe Berndt / Galeria Vermelho.







