Silvia Furmanovich cresceu entre ferramentas de ourivesaria. Nascida em São Paulo, em uma família de origem italiana dedicada ao trabalho com metais preciosos, acompanhava o pai na oficina e observava a atenção necessária a dobradiças, fechos e encaixes. O bisavô também trabalhava como ourives e produziu ornamentos sacros destinados ao Vaticano.
A convivência com o ateliê definiu a maneira como Silvia passou a observar os objetos. Além das pedras e dos metais, interessava-se pelo processo e por quem dominava as técnicas de fabricação. Esse aprendizado se tornou uma característica central de sua trajetória criativa.
Em 1998, iniciou uma atividade de joalheria com atendimento mediante agendamento. A primeira boutique própria abriu em São Paulo em 2009. Com a expansão da marca, Silvia desenvolveu uma pesquisa cada vez mais ligada ao artesanato de diferentes lugares, aproximando materiais inesperados da alta joalheria.
O encontro com outros materiais
Madeira, laca, bambu, conchas, cobre oxidado e pequenos objetos artesanais passaram a conviver com ouro, diamantes, pérolas e gemas coloridas. A combinação é um dos traços reconhecíveis de suas peças, assim como a maneira de trabalhar esses materiais.
Em viagens de pesquisa, Silvia procura conhecer técnicas tradicionais e colaborar com os profissionais que as dominam. O interesse inclui os métodos de corte, pintura, encaixe e acabamento que transformam materiais cotidianos em objetos detalhados.
A marchetaria tornou-se uma das pesquisas mais conhecidas de sua carreira. Durante viagem ao Acre, Silvia entrou em contato com artesãos especializados em composições de lâminas de madeira. Em 2016, a técnica passou a integrar sua joalheria, com figuras de animais, flores e paisagens combinadas a ouro e gemas preciosas.
Viagens que se transformam em coleções
Outras tradições foram incorporadas ao repertório da designer. Técnicas de bambu, pintura em miniatura e trabalho em laca, associados a diferentes culturas, motivaram coleções e colaborações. O processo envolve pesquisa, encontros e adaptações técnicas para que o trabalho artesanal possa existir na escala de uma joia.
A marca ampliou também sua relação com instituições culturais. Em 2022, Silvia participou do The Heirloom Project, associado ao Metropolitan Museum of Art, em Nova York. Em 2023, desenvolveu objetos para a casa em parceria com a britânica Asprey, ampliando a investigação de materiais para outros formatos.
Ao longo da carreira, recebeu distinções internacionais, incluindo três Couture Design Awards na categoria Innovation, em 2015, 2016 e 2019. Em março de 2026, ganhou o GEM Award for Jewelry Design, concedido pela Jewelers of America.
A trajetória de Silvia Furmanovich tem origem em uma tradição familiar, mas se desenvolveu por meio de encontros com conhecimentos artesanais de diferentes lugares. Em suas peças, o trabalho manual faz parte da criação desde o início. A joalheria funciona como um espaço de colaboração entre materiais preciosos e técnicas que possuem histórias próprias.







