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GUERREIRO: José Carlos, Juliana e a história de uma joalheria de família

Criada em São Paulo no início dos anos 1970, a marca atravessou mudanças de comportamento e hoje reúne o legado de José Carlos Guerreiro e o olhar de Juliana.

A GUERREIRO nasceu de um momento de liberdade cultural em São Paulo. No início dos anos 1970, José Carlos Guerreiro, artista autodidata interessado em desenho e escultura, começou a criar pulseiras e adornos que escapavam aos códigos convencionais da joalheria.

Em entrevista ao jornalista Eron Falbo, José Carlos recordou a montagem de um espaço conhecido como Tenda Cigana, que reuniu loja e ateliê e rapidamente se tornou ponto de encontro de artistas e jovens interessados em peças pouco usuais. A história oficial situa a origem da marca em 1970.

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Colar da coleção Serpens, da GUERREIRO, com fecho em cabeça de serpente
Colar da coleção Serpens, da GUERREIRO, com fecho em cabeça de serpente. Foto: Divulgação.

Uma marca criada entre arte e comportamento

As primeiras peças exploravam materiais como alpaca e cobre, além da prata, metal que se tornaria um dos sinais da empresa. Pulseiras personalizáveis e objetos de presença escultórica chamaram atenção de um público que buscava acessórios menos associados aos códigos formais da joalheria.

Ao longo das décadas, José Carlos incorporou ao repertório símbolos religiosos, correntes, nós e referências ao universo natural. A produção artesanal, as texturas e os acabamentos mantiveram relevância mesmo quando a marca ampliou o uso de ouro e gemas naturais.

A marca passou por diferentes fases comerciais. A partir de 2000, ganhou um novo período de expansão, com contribuição da esposa, Gloria Guerreiro, e da filha, Juliana Guerreiro Buzolin. A continuidade familiar tornou-se parte da história da empresa.

Juliana e a continuidade de um acervo

Formada em Design de Interiores pela Belas Artes de São Paulo, Juliana aprendeu o ofício acompanhando o ateliê do pai. Com mais de duas décadas de atuação na empresa, passou a participar do desenvolvimento das coleções e assumiu a direção criativa.

Seu trabalho preserva símbolos que tornaram a GUERREIRO reconhecível, mas investiga outras maneiras de utilizá-los. Em 2026, por exemplo, a coleção Serpens, retomou o motivo da serpente em colares de prata 925 e pedras naturais, com fecho em formato de cabeça de cobra.

As referências de Juliana incluem arte, arquitetura e viagens. O processo de criação envolve a consulta ao acervo construído ao longo de mais de cinco décadas, com a intenção de reinterpretar formas para o presente.

Hoje, a GUERREIRO reúne duas gerações em diálogo. José Carlos permanece ligado à origem artística da empresa; Juliana desenvolve a expressão contemporânea do nome. Sua história acompanha transformações na maneira de vestir, consumir e atribuir significado aos acessórios, com o trabalho manual como ponto de continuidade.

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Fonte: GUERREIRO

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