Em um momento em que qualquer imagem pode chegar a milhares de pessoas em segundos, uma exposição no IMS Paulista escolhe celebrar objetos pequenos, físicos e muitas vezes produzidos em tiragens mínimas.
ZineZona reúne cerca de 300 zines fotográficos de autores, coletivos e editoras de diferentes regiões do Brasil.
A mostra parte do acervo da Biblioteca de Fotografia do Instituto Moreira Salles e percorre temas como arquivo familiar, gênero, raça, território, experimentação gráfica e diário visual.
Há um detalhe importante: as publicações podem ser manuseadas.
Isso muda completamente a relação com a exposição. O visitante não observa apenas um objeto protegido por vidro. Pega, abre, folheia e percebe papel, impressão, tamanho e sequência.
Zines sempre estiveram próximos de movimentos independentes, do punk às culturas negra e queer. A própria precariedade de produção muitas vezes fazia parte de sua força.
Em 2026, essa materialidade ganha outro significado.
Num ambiente cultural dominado por feeds infinitos e imagens perfeitamente otimizadas, o zine oferece limite, autoria e presença física.
Ele não precisa de algoritmo para existir.
Talvez seja justamente essa pequena liberdade que explique por que continua tão atual.







